Perícia particular também identificou registros de criação de 436 arquivos após apreensão pela Polícia Federal; análise não comprova adulteração das provas.

Da Redação
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (29), uma perícia particular que aponta registros de alterações em 657 arquivos e de criação de outros 436 no celular apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025. Com base no documento, os advogados questionam a integridade das provas utilizadas na investigação do Banco Master e pedem a soltura do empresário.
O aparelho foi apreendido em 17 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo o laudo contratado pela defesa, as alterações foram registradas quando o telefone já estava sob custódia das autoridades. Os advogados sustentam que os dados disponíveis não permitem verificar integralmente o conteúdo extraído nem determinar a origem e a extensão das modificações.
Perícia questiona integridade das provas
Perícia particular também identificou registros de criação de 436 arquivos após apreensão pela Polícia Federal; análise não comprova adulteração das provas.
A análise apresentada ao STF levanta dúvidas sobre a chamada cadeia de custódia, conjunto de procedimentos utilizados para documentar a coleta, o armazenamento, o manuseio e a preservação de evidências durante uma investigação.
Para os defensores de Vorcaro, a ausência de informações técnicas suficientes compromete a possibilidade de conferir a autenticidade dos arquivos utilizados como prova.
A defesa solicitou que a Polícia Federal disponibilize os dados originais da extração do aparelho, além dos registros técnicos necessários para uma análise independente.
O laudo particular, entretanto, não comprova que os arquivos tenham sido adulterados intencionalmente ou que as modificações tenham ocorrido por intervenção humana.
Uma análise divulgada pelo UOL nesta sexta-feira (30) apontou que parte dos registros apresentados pela defesa é compatível com processos automáticos do sistema operacional do iPhone, como sincronização, carregamento e gerenciamento de arquivos.
Os advogados mantêm o questionamento sobre a documentação da apreensão e afirmam que o acesso aos dados brutos é necessário para verificar a integridade do material.
Defesa pede liberdade de Vorcaro
Além de solicitar acesso às informações originais do aparelho, os advogados defendem a revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro.
Segundo a defesa, a permanência de Vorcaro na prisão não se justifica diante dos questionamentos apresentados sobre a confiabilidade das provas.
O pedido foi encaminhado ao STF, responsável pela análise das medidas judiciais relacionadas ao caso.
Polícia Federal indiciou Vorcaro e outros 14 investigados
A apresentação da perícia ocorreu um dia depois de a Polícia Federal indiciar Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de envolvimento em irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master.
O indiciamento, anunciado na quarta-feira (28), envolve suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, Vorcaro teria exercido papel central nas operações envolvendo carteiras de crédito consideradas irregulares e negociadas com o BRB.
A Polícia Federal aponta prejuízo de aproximadamente R$ 2,7 bilhões nas operações investigadas. Parte das perdas estaria relacionada a carteiras de crédito atribuídas à empresa Tirreno.
O relatório com os indiciamentos foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF também solicitou ao STF mais 60 dias para concluir exames periciais pendentes e apresentar informações complementares.
Advogados negam prejuízo ao BRB
A defesa de Daniel Vorcaro contesta as conclusões da Polícia Federal e afirma que as operações entre o Banco Master e o BRB não provocaram prejuízos à instituição pública.
De acordo com os advogados, a negociação envolvendo as carteiras de crédito da Tirreno não chegou a ser concluída, e os ativos foram substituídos por outros.
A defesa também sustenta que nenhuma perícia oficial comprovou os prejuízos atribuídos às transações e questiona os resultados apresentados pela investigação.
O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial sobre indícios de participação nos crimes apurados, mas não equivale a uma condenação judicial.
O caso segue sob análise das autoridades competentes, enquanto a defesa busca acesso integral às provas e a revisão das medidas judiciais impostas ao ex-banqueiro.




