Enquanto mais de 290 pessoas aguardam transplante no Estado, plataforma digital criada pelos Cartórios de Notas amplia acesso à autorização oficial de doadores

Da Redação
Quase 370 moradores de Mato Grosso do Sul já formalizaram digitalmente o desejo de doar órgãos por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). O número ganha relevância diante da atual demanda por transplantes no Estado, onde mais de 290 pessoas aguardam na fila por um órgão, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Criada há dois anos pelos Cartórios de Notas e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça, a plataforma busca facilitar o registro oficial de doadores e ampliar o acesso da população à manifestação formal de vontade para a doação de órgãos.
Desde o lançamento do sistema, Mato Grosso do Sul contabilizou 366 autorizações realizadas de forma totalmente eletrônica. O procedimento é gratuito e pode ser feito pela internet, sem necessidade de deslocamento até um cartório físico.
Os dados refletem um cenário em que a demanda por transplantes continua elevada em todo o país. Somente em 2026, mais de 3 mil transplantes já foram realizados no Brasil, com destaque para os procedimentos de rim e fígado, que seguem entre os mais necessários tanto nacionalmente quanto em Mato Grosso do Sul.
Segundo o presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção Mato Grosso do Sul, Elder Dutra, a ferramenta oferece mais segurança jurídica ao cidadão e contribui para fortalecer a cultura da doação no Estado.
A AEDO foi desenvolvida pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal por meio da plataforma e-Notariado. A regulamentação ocorreu através de provimento do Conselho Nacional de Justiça, permitindo que os Cartórios de Notas validem eletronicamente a autorização emitida pelos cidadãos.
O processo é feito online. O interessado acessa o portal da AEDO, solicita gratuitamente um certificado digital notarizado, participa de uma videoconferência com um tabelião e assina eletronicamente o documento indicando os órgãos que deseja doar.
Após a conclusão, a autorização passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, sistema que pode ser consultado por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes. O registro também pode ser cancelado a qualquer momento pelo próprio cidadão.
Além da ampliação do acesso digital, iniciativas legislativas têm buscado incentivar a adesão ao sistema. No Paraná, por exemplo, uma lei estadual aprovada em 2025 passou a garantir benefícios como meia-entrada em eventos culturais e esportivos para doadores cadastrados na AEDO.
Especialistas da área de transplantes reforçam que a formalização do desejo de doar ajuda a orientar familiares e profissionais de saúde em momentos decisivos, além de contribuir para o fortalecimento das políticas públicas ligadas à doação de órgãos no país.



