Presidente propõe divulgar dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos, incluindo familiares e empresas, desde que adversário aceite a mesma condição antes do segundo turno.

Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou nesta terça-feira, 20 de outubro, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um pedido para autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos. A proposta, no entanto, está condicionada à mesma iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário na disputa presidencial que será decidida no segundo turno, no domingo, 25.
A iniciativa ocorre na reta final da campanha eleitoral e amplia o confronto entre os candidatos em torno de acusações de corrupção e transparência patrimonial. O requerimento também prevê o acesso a informações de familiares e empresas vinculadas aos dois políticos.
O documento foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, dois dias depois do debate realizado pela Band, no qual Lula desafiou Flávio Bolsonaro a tornar públicos seus registros financeiros.
Pedido de Lula inclui familiares e empresas
A autorização apresentada pelo presidente abrange informações bancárias, fiscais e telefônicas referentes aos últimos oito anos. Além dos próprios registros, Lula propõe incluir os dados da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e de seus cinco filhos: Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio.
A proposta também alcança pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou responsáveis pela movimentação financeira.
No caso de Lula, o documento identifica a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda. Em relação a Flávio Bolsonaro, a petição aponta cinco empresas que teriam vínculos com o senador, incluindo uma offshore.
A relação apresentada faz parte do requerimento da campanha petista e não representa, por si só, comprovação de irregularidades.
Flávio Bolsonaro também teria de divulgar dados da família
A condição estabelecida por Lula é que Flávio Bolsonaro permita a divulgação de informações equivalentes, incluindo registros da esposa, Fernanda, dos pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan.
Segundo o documento, os dados deveriam ser disponibilizados publicamente até quarta-feira, 21 de outubro, permitindo que os eleitores consultassem as informações antes da votação.
A petição sugere que a divulgação seja realizada por meio do sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou por outra página eletrônica de acesso público.
Entretanto, a apresentação do requerimento não significa que os sigilos tenham sido efetivamente levantados. A divulgação permanece condicionada à reciprocidade exigida pelo presidente e aos procedimentos jurídicos necessários para o acesso às informações.
Desafio começou em debate presidencial
A proposta foi apresentada inicialmente durante o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, realizado no domingo, 18, pela Band.
O encontro foi marcado por acusações entre os candidatos, especialmente sobre corrupção e questões envolvendo familiares. Na ocasião, Lula propôs que ambos apresentassem seus registros financeiros para avaliação pública.
Nesta terça-feira, durante um evento de campanha em São Luís, no Maranhão, o presidente voltou a desafiar o adversário.
“Eu quero ver se ele tem coragem”, declarou Lula ao defender a divulgação das informações.
Até as informações disponíveis nesta terça-feira, não havia confirmação de que Flávio Bolsonaro tivesse aceitado formalmente a proposta.
Disputa pela Presidência entra na reta final
O episódio ocorre a cinco dias do segundo turno das Eleições 2026, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.
A iniciativa acrescenta um novo elemento à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, que intensificam as estratégias de campanha para conquistar os eleitores na última semana antes da votação.
Por enquanto, a proposta permanece como um pedido formal apresentado à Justiça Eleitoral. A eventual divulgação dos registros dependerá dos próximos desdobramentos e do cumprimento das condições estabelecidas.









