Estratégia nacional prevê qualificação de doulas na rede pública e reforça debate sobre parto humanizado e direitos reprodutivos no Brasil

Da Redação
O governo federal anunciou um investimento inicial de R$ 3 milhões para implementar a Estratégia Nacional de Formação de Doulas no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi divulgada durante a 10ª Convenção Nacional de Doulas do Brasil (Conadoula), realizada entre os dias 14 e 17 de maio, em Belém.
A iniciativa ocorre poucos dias após a sanção da Lei nº 15.381/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que regulamenta oficialmente a profissão de doula no país. A legislação reconhece a atuação dessas profissionais no acompanhamento de gestantes durante a gravidez, parto e pós-parto.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta busca estruturar a formação e a qualificação das doulas dentro da rede pública, ampliando o acesso ao atendimento humanizado e fortalecendo políticas voltadas à saúde da mulher.
As doulas atuam oferecendo suporte físico, emocional e informativo às gestantes. O trabalho inclui orientação antes do parto, acompanhamento durante o nascimento e apoio no período pós-parto. Estudos e políticas públicas na área da saúde apontam que esse acompanhamento pode contribuir para experiências mais humanizadas e redução de intervenções desnecessárias durante o parto.
Durante o evento, representantes do Ministério da Saúde destacaram que a estratégia também pretende ampliar o acesso ao cuidado em regiões mais vulneráveis socialmente.
A coordenadora-geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde, Érika Almeida, afirmou que a atuação das doulas ultrapassa o cuidado individual e possui impacto social, principalmente em territórios periféricos e com menor acesso à assistência especializada.
Já a coordenadora-geral de Regulação e Relações de Trabalho na Saúde, Etel Matielo, defendeu o fortalecimento da formação e da organização do trabalho dessas profissionais dentro do SUS, como forma de consolidar a política pública voltada ao parto humanizado.
A 10ª edição da Conadoula reuniu doulas, pesquisadoras, representantes de movimentos sociais, gestoras públicas e profissionais da saúde de diferentes regiões do país. O encontro debateu temas ligados à humanização do parto, direitos reprodutivos e fortalecimento da assistência materna no Brasil.
Segundo a organização, esta foi a primeira vez que representantes dos 27 estados brasileiros participaram do evento, ampliando a representatividade nacional da convenção. O destaque ficou para a presença de profissionais das regiões Norte e Nordeste, áreas que enfrentam desafios relacionados ao acesso à assistência obstétrica e serviços especializados.
Com a regulamentação da profissão e o anúncio da estratégia nacional de formação, o governo federal busca consolidar a atuação das doulas como parte das políticas públicas de atenção à saúde materna e ao cuidado humanizado no SUS.



