República Democrática do Congo e Uganda somam centenas de infecções pela cepa Bundibugyo; autoridades cobram reforço na vigilância sanitária

Da Redação
O surto de ebola registrado na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda já contabiliza 263 casos confirmados e 43 mortes, segundo dados divulgados pelo diretor-geral do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC África), Jean Kaseya. Além dos casos confirmados, mais de 1,1 mil notificações suspeitas seguem sob investigação pelas autoridades sanitárias.
O avanço da doença tem aumentado a preocupação de organismos internacionais de saúde, especialmente diante da velocidade de transmissão observada em algumas áreas afetadas. O atual surto está associado à cepa Bundibugyo do vírus Ebola, considerada menos comum que outras variantes já registradas no continente africano.
Em artigo publicado neste domingo (31), Kaseya afirmou que a resposta ao surto precisa ganhar velocidade para evitar uma ampliação ainda maior dos casos. Segundo ele, os sistemas nacionais de resposta a emergências sanitárias devem ser acionados rapidamente, enquanto investimentos em preparação para futuras pandemias precisam se tornar permanentes.
A avaliação ocorre em um momento em que profissionais da saúde e organizações humanitárias relatam dificuldades operacionais para conter a disseminação da doença. Entre os desafios apontados estão a demora na identificação inicial dos casos e a escassez de suprimentos básicos em algumas regiões atingidas.
De acordo com relatos de equipes que atuam na linha de frente do combate ao surto, a falta de materiais essenciais compromete parte das ações de vigilância, rastreamento de contatos e atendimento aos pacientes. A situação levou especialistas a defenderem uma mobilização mais rápida da comunidade internacional.
Kaseya também destacou a importância da cooperação internacional, mas ressaltou que o apoio externo tende a ser mais eficaz quando alinhado às estratégias elaboradas por governos e instituições africanas, responsáveis pela condução das ações locais de enfrentamento à doença.
O atual episódio representa o 17º surto de ebola registrado na República Democrática do Congo desde que o vírus foi identificado, há cerca de cinco décadas. Autoridades sanitárias classificam o evento como um dos mais significativos já enfrentados pelo país em razão do ritmo de crescimento dos casos e dos desafios logísticos para resposta rápida.
Diante do cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto na RDC e em Uganda como uma emergência de saúde pública de interesse internacional. A medida busca ampliar a coordenação entre países, facilitar o envio de recursos e fortalecer as estratégias de monitoramento e controle da doença.
Embora o número de casos permaneça concentrado em áreas específicas dos dois países, especialistas alertam que a contenção rápida é considerada fundamental para evitar a expansão da transmissão e reduzir os impactos sanitários da doença nos próximos meses.


