Intercâmbio poético promove criação em espaços públicos de Campo Grande e terá apresentações abertas e encontro gratuito de improvisação.

Da Redação
A artista e pesquisadora da dança Dudude Herrmann conduz, até o dia 15 de julho, uma residência artística em Campo Grande voltada à pesquisa em improvisação, criação em espaços públicos e preservação ambiental. A atividade reúne dez artistas sul-mato-grossenses em um intercâmbio de experiências que tem como objetivo desenvolver uma futura obra inspirada na relação entre corpo, natureza e cidade.
Intitulado Intercâmbio Poético com Dudude, o projeto é promovido pela Arado Cultural e conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), Prefeitura de Campo Grande, Governo Federal e Ministério da Cultura.
Durante a residência, os participantes desenvolvem práticas de improvisação em parques e praças da Capital, utilizando os espaços urbanos como cenário para experimentações artísticas. Nos primeiros dias de atividades, o Parque das Nações Indígenas recebeu os encontros, nos quais árvores, fauna, paisagem e circulação de pessoas passaram a integrar o processo criativo.
Segundo a produtora da Arado Cultural, Renata Leoni, a proposta vai além da criação de um espetáculo.
“A residência aprofunda os estudos em improvisação e promove uma rica troca de saberes e experiências. A expectativa é que esse encontro resulte, futuramente, em uma obra voltada para praças e parques, abordando a preservação do meio ambiente, da fauna e da flora, sensibilizando as comunidades por meio da arte”, afirma.
Com mais de quatro décadas de trajetória na dança contemporânea, Dudude Herrmann é reconhecida nacionalmente pelo trabalho desenvolvido em improvisação e pela pesquisa artística relacionada aos espaços públicos e às questões ambientais. Para a artista, ocupar ruas, parques e praças amplia as possibilidades de criação e fortalece o diálogo com a sociedade.
“A poesia da rua reúne diferentes formas de humanidade. Sair dos espaços tradicionais de apresentação é também uma ação política. Frequentar esses lugares, provocar encontros, estranhamentos e gentilezas faz parte do processo de dançar a vida”, destaca.
Participam da residência os artistas Ariane Nogueira, Febraro de Oliveira, Franciella Cavalheri, Henrique Lucas, Julia Aissa, Livia Lopes, Marcus Perez, Paulo Henrique, Renata Leoni e Roberta Siqueira.
Para Franciella Cavalheri, integrante do grupo Corpomancia, a experiência amplia a percepção sobre a criação artística.
“Desenvolver essa pesquisa no território onde vivemos, em contato direto com árvores, animais e outros elementos da natureza, amplia nossa forma de perceber e criar dança”, avalia.
Vinda de Dourados para participar da residência, Julia Aissa considera o processo um desafio que transforma a relação entre o corpo e a cidade.
“Dançar em espaços públicos envolve muitas interferências e exige outra escuta do ambiente. É uma experiência complexa, mas também um aprendizado que ultrapassa a dança e se estende para a vida”, afirma.
Como parte da programação, o projeto realiza atividades abertas ao público. No sábado (12), às 10h30, será realizado um processo de improvisação no Parque das Nações Indígenas, na entrada do Museu Marco. No domingo (13), às 16h, a ação será na Praça do Rádio Clube. Encerrando a programação aberta, o encontro de improvisação Dance up Dance acontece na segunda-feira (14), às 16h, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, com entrada gratuita.



