Projeto de reintegração social já ajudou mais de 700 reeducandos a retornarem ao mercado de trabalho

Iniciativa amplia oportunidades para população carcerária em cinco estados brasileiros e fortalece debate sobre inclusão social e redução da reincidência criminal

Da Redação

Em meio aos debates sobre segurança pública e reincidência criminal no Brasil, iniciativas voltadas à reintegração social da população carcerária ainda ocupam pouco espaço nas discussões públicas. Nesse cenário, o projeto Reeducandos, desenvolvido pelo Grupo Pereira, tem ampliado oportunidades de emprego para pessoas privadas de liberdade e chamado atenção pelo impacto social da iniciativa.

Criado em 2014, o projeto já contribuiu para a inserção de mais de 700 reeducandos no mercado de trabalho por meio de atividades remuneradas nas operações do grupo. Atualmente, cerca de 260 participantes atuam em unidades das bandeiras Fort Atacadista e Comper, distribuídas em cinco estados brasileiros.

Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) apontam que o Brasil possui mais de 960 mil pessoas privadas de liberdade, mas apenas aproximadamente 20% têm acesso ao trabalho. Diante desse cenário, projetos de empregabilidade são apontados como ferramentas importantes para reduzir a reincidência criminal e ampliar possibilidades de reconstrução social.

Os participantes do Reeducandos desempenham funções em áreas como logística, televendas, cozinha, manutenção e apoio operacional. Além das vagas em lojas e centros de distribuição, o Grupo Pereira mantém duas centrais de manutenção de carrinhos instaladas dentro de unidades prisionais: uma no Centro Penal da Gameleira, em Mato Grosso do Sul, e outra no Complexo da Papuda, no Distrito Federal.

Segundo Paulo Nogueira, diretor de Gente e Gestão do Grupo Pereira, o acesso ao trabalho representa um dos principais caminhos para retomada da autonomia e da dignidade.

“Quando falamos em segurança pública, também precisamos falar sobre oportunidades. O trabalho devolve dignidade, cria perspectiva e ajuda essas pessoas a retomarem suas vidas com mais autonomia. É uma transformação que impacta não apenas quem participa do projeto, mas toda a sociedade”, afirmou.

Além da remuneração, os participantes recebem alimentação, uniforme, transporte e o benefício previsto em lei de remição da pena, que permite a redução de um dia da condenação a cada três dias trabalhados. A seleção ocorre em parceria com instituições prisionais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Contratações efetivas

O impacto do projeto também se estende após o cumprimento da pena. De acordo com o Grupo Pereira, mais de 40 participantes já foram contratados em regime CLT após passarem pela iniciativa, ampliando as oportunidades de permanência no mercado formal de trabalho.

Entre os casos apresentados pelo projeto está o de Iris Sarmento Junior, atualmente auxiliar administrativo do Comper. Ele ingressou na empresa durante o período em que cumpria pena e, ao longo do tempo, passou por diferentes setores até alcançar a função atual.

“Desde que entrei no Grupo Pereira vivi um processo de reafirmação pessoal e profissional. Era um recomeço. Sempre enxerguei o trabalho como o caminho para conquistar uma vida melhor e mais digna. Aqui, somos tratados como profissionais e incentivados a crescer”, relatou.

Segundo Iris, a experiência também influenciou a trajetória da própria família. Atualmente, ele trabalha ao lado do pai, que também passou a integrar a equipe da empresa.

“Trabalhar com meu próprio pai é um privilégio. Minha trajetória influenciou sua decisão de vir para a empresa, mas acredito que o principal fator foi a forma como ele foi acolhido e valorizado pelo Grupo, mesmo aos seus mais de 70 anos”, afirmou.

A iniciativa reforça o debate sobre políticas de inclusão social e geração de oportunidades como estratégias complementares às ações de segurança pública, especialmente em datas como o Dia Nacional do Detento, voltadas à reflexão sobre o sistema prisional brasileiro.

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