Com mais de 200 mil casos no país, especialistas destacam sinais iniciais pouco percebidos e novas opções de tratamento aprovadas recentemente

Da Redação
O avanço do envelhecimento populacional no Brasil tem ampliado a incidência de doenças neurodegenerativas, como o Doença de Parkinson, que já se consolida como a segunda mais comum no mundo. No país, a estimativa é de mais de 200 mil pessoas convivendo com a condição, com prevalência próxima de 1% entre a população acima dos 60 anos.
A tendência acompanha o cenário global. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo, número que pode dobrar até 2040, impulsionado pelo aumento da expectativa de vida.
Em Mato Grosso do Sul, o crescimento da população idosa reforça esse cenário. Levantamento do governo estadual aponta que o estado já conta com cerca de 391,1 mil idosos, o que amplia a demanda por diagnóstico e acompanhamento de doenças associadas ao envelhecimento.
Segundo a médica clínica do Hospital do Coração, em Campo Grande, Dra. Janda de Oliveira Campos Ramos, um dos principais desafios está na identificação precoce da doença. Isso porque os primeiros sinais nem sempre estão ligados aos sintomas mais conhecidos.
“O Parkinson costuma ser associado ao tremor, mas ele representa apenas uma parte do quadro. Alterações como perda de olfato, distúrbios do sono, depressão e ansiedade podem surgir anos antes das manifestações motoras”, explica.
De acordo com a especialista, quando os sintomas motores passam a ser percebidos, o paciente já pode ter perdido entre 60% e 80% dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, o que dificulta o controle da doença.
Sinais que vão além do tremor
A identificação de sintomas iniciais ainda é um dos principais obstáculos. Entre os sinais que podem indicar o desenvolvimento da doença estão alterações motoras progressivas, como rigidez muscular, lentidão nos movimentos (bradicinesia), mudanças na escrita e na postura.
Também são observados sinais não motores, como dificuldade para sentir cheiros comuns, alterações no sono — incluindo movimentos involuntários durante a noite —, além de sintomas relacionados à saúde mental, como depressão e ansiedade.
A recomendação médica é que qualquer mudança persistente seja avaliada, especialmente quando há progressão dos sintomas ao longo do tempo.
Novos tratamentos ampliam perspectivas
O ano de 2026 marca a chegada de novas alternativas terapêuticas no Brasil, após a aprovação de medicamentos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em novembro de 2025.
Entre as novidades está o Produodopa, uma infusão contínua administrada por via subcutânea, indicada principalmente para estágios mais avançados da doença e voltada à redução dos períodos de imobilidade.
Outra opção é o Tavapadon, que surge como alternativa com potencial de uso tanto nas fases iniciais quanto avançadas, com menor incidência de efeitos colaterais em comparação a terapias tradicionais.
Tratamento envolve múltiplas áreas e apoio familiar
Apesar de ser uma doença neurológica, o acompanhamento do Parkinson exige uma abordagem integrada, envolvendo diferentes especialidades médicas. O clínico geral, segundo a especialista, tem papel relevante na identificação inicial e no encaminhamento adequado do paciente.
Além do suporte médico, o ambiente familiar também influencia diretamente na evolução do quadro. O incentivo à autonomia, o acompanhamento do uso correto de medicações e a prática de atividades físicas estão entre as orientações mais recorrentes.
A socialização também é apontada como fator importante para a manutenção da qualidade de vida, especialmente em fases mais avançadas da doença.



