Operação Infiltrados investiga desvio de drogas apreendidas e cumpre 26 mandados de prisão em MS

Ação do Gaeco cumpre ainda 38 mandados de busca em Campo Grande, Dourados e Terenos; até o momento, 12 agentes de segurança tiveram prisões confirmadas.

Da Redação

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Infiltrados, que investiga um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Ao todo, são cumpridos 26 mandados de prisão, sendo 24 preventivos e dois temporários, além de 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Até o momento, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Como os mandados continuam sendo cumpridos, o número de presos pode aumentar ao longo do dia.

Além dos agentes de segurança, três civis foram presos, segundo apuração do g1: Weslei Benítez, Kayon Lucas Leodoro da Silva, conhecido como “LK”, e Heberti Barbosa.

A investigação apura a atuação de um grupo que, segundo o Ministério Público, teria utilizado estruturas e funções da segurança pública para retirar entorpecentes apreendidos e recolocá-los no mercado ilegal.

Delegado está entre os alvos

Entre os alvos da operação está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, atualmente lotado na 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, conforme apurado pelo g1.

Hoffman já comandou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Em junho deste ano, ele foi removido do Garras e transferido para a 6ª Delegacia.

O advogado do delegado, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que o cliente está em Campo Grande e soube da operação por familiares. Segundo a defesa, Hoffman não estava em casa no momento em que os mandados foram cumpridos na residência.

Investigação começou em 2025

As apurações tiveram início em outubro de 2025, a partir de elementos identificados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Segundo o MPMS, as investigações indicaram a possível participação de policiais no desvio de entorpecentes, principalmente cocaína.

O Ministério Público afirma que o esquema funcionaria de duas maneiras. Em uma delas, parte das drogas apreendidas deixaria de ser registrada oficialmente. Na outra, os entorpecentes seriam retirados diretamente de depósitos de delegacias.

Ainda conforme a investigação, as drogas desviadas seriam repassadas a traficantes ligados à organização criminosa e posteriormente recolocadas no mercado ilegal.

As acusações ainda são objeto de investigação, e os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

Três civis foram presos

De acordo com informações apuradas pelo g1, Weslei Benítez, Kayon Lucas Leodoro da Silva e Heberti Barbosa estão entre os civis presos durante a operação.

A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda tenta esclarecer os motivos que levaram à expedição do mandado de prisão. Segundo o advogado, a proximidade de Weslei com Kayon, que já havia sido preso anteriormente, poderia ter contribuído para sua inclusão na investigação. A defesa também negou qualquer relação dele com os policiais investigados.

A defesa de Heberti informou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e, por isso, não conhece os detalhes da investigação.

Até as informações disponibilizadas, a defesa de Kayon não havia sido localizada pelo g1.

Corregedorias já investigavam servidores

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que servidores das forças de segurança envolvidos na operação já eram investigados pelas respectivas corregedorias por suspeitas relacionadas a tráfico de drogas e outros crimes.

Segundo a secretaria, três desses servidores já haviam sido presos anteriormente e outro havia sido exonerado recentemente. Os nomes não foram divulgados.

A Sejusp declarou ainda que eventuais desvios de conduta serão apurados respeitando o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

A operação conta com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha diligências realizadas na residência de uma advogada.

Segundo o MPMS, o nome “Infiltrados” faz referência à suspeita de participação de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e à utilização de estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.

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