Justiça afasta diretoria e conselho da Santa Casa de Campo Grande e nomeia gestor por 180 dias

Decisão atinge cerca de 20 integrantes da administração do hospital em meio à investigação da Operação Antidotum sobre suspeitas de desvio de recursos.

Da Redação

A Justiça determinou nesta quinta-feira (24) o afastamento da diretoria corporativa e do conselho de administração da Santa Casa de Campo Grande, além de uma supervisora da instituição. A medida ocorre no âmbito das investigações que apuram suspeitas de desvio de recursos do hospital.

A decisão da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos também nomeou Luiz Alberto Hiroki Kanamura como gestor provisório da Santa Casa pelo período inicial de 180 dias.

Segundo decisão obtida pelo g1, cerca de 20 diretores, conselheiros e uma supervisora foram afastados. A Justiça também proibiu os integrantes da diretoria corporativa atingidos pela medida de serem reconduzidos aos cargos em novas eleições.

Entre os afastados estão pessoas que já haviam sido retiradas cautelarmente das funções após prisões preventivas decretadas durante a Operação Antidotum.

Quem foi afastado da Santa Casa

A decisão alcança os seguintes integrantes da administração e do conselho:

  • Alir Terra Lima, diretora-presidente, já afastada cautelarmente após prisão preventiva;
  • Heitor Miguel Scheibeler, presidente em exercício e conselheiro;
  • Ivan Araújo Brandão, vice-presidente e conselheiro;
  • Valdir Osvaldo Junior, diretor-secretário e conselheiro;
  • Marcos Alceu da Silva Villalba, diretor de finanças;
  • Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto e conselheiro, já afastado cautelarmente após prisão preventiva;
  • Rinaldo Hakme Romano, diretor administrativo-financeiro, já afastado cautelarmente após prisão preventiva;
  • Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo, já afastado cautelarmente após prisão preventiva;
  • João Nelson Lyrio, diretor financeiro adjunto e conselheiro;
  • Luiz Borges Bossay, secretário adjunto e conselheiro;
  • Arly Rosa Serra, conselheiro;
  • Helio Gustavo Bautz Dallacqua, conselheiro;
  • Heitor Rodrigues Freire, conselheiro;
  • Levi Marcos Gomes da Cruz, conselheiro;
  • Sidney Roberto Rivas, conselheiro;
  • Carlos Ricartes de Oliveira, conselheiro;
  • Mario Antonio Cavinatto de Mello, conselheiro;
  • Sandra Regina Ferreira Gonçalves, conselheira;
  • Onésio Bueno de Freita, conselheiro;
  • Monique Gregório de Oliveira, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística, já afastada cautelarmente após prisão preventiva.

Até a última atualização das informações, o g1 informou que não havia localizado os contatos dos diretores e conselheiros afastados para manifestação.

Operação investiga contratos da Santa Casa

A decisão ocorre após a deflagração da Operação Antidotum, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Na operação, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, e Goiânia, em Goiás.

A investigação teve início a partir de suspeitas relacionadas a um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, chegando a R$ 5,4 milhões. Segundo o MPMS, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido desviado somente no primeiro ano. As suspeitas ainda são objeto de investigação.

Contratos da Santa Casa Saúde também são apurados

As investigações também alcançam contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação.

De acordo com o Ministério Público, foram identificadas suspeitas envolvendo contratos firmados com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. O proprietário dessas empresas teria, conforme a investigação, ligação com integrantes da diretoria da Santa Casa.

As responsabilidades individuais ainda estão sendo apuradas, e os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

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