Conversas obtidas pelo Gaeco apontam preocupação de investigados com patrimônio registrado em nome de terceiros; defesa nega acusações e afirma que inocência será comprovada.

Da Redação
A denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Gutenberg revela conversas que, segundo a investigação, demonstram conflitos internos e receio de traições entre integrantes da família investigada por um suposto esquema de corrupção e movimentação de aproximadamente R$ 27 milhões envolvendo a comercialização de livros paradidáticos.
Os diálogos fazem parte do material reunido durante a investigação e foram anexados à denúncia oferecida contra 17 pessoas. Conforme o Gaeco, as mensagens reforçam a hipótese de que bens e empresas teriam sido registrados em nome de terceiros para ocultar a verdadeira administração do patrimônio.
Em uma conversa de 11 de junho de 2025, a médica Olívia Paroschi Jafar, que chegou a ser presa durante a operação e atualmente responde ao processo em liberdade, afirma a uma amiga que Rhayane Souza Fanaia estaria dizendo que a família a manipulava.
Em seguida, Olívia envia um áudio demonstrando preocupação com o fato de a editora, um imóvel e um apartamento estarem registrados em nome de Rhayane.
Segundo a denúncia, o conteúdo da conversa indicaria que Olívia tinha conhecimento de que Rhayane atuava como interposta pessoa na constituição da empresa Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda., conhecida como Editora Avante. Rhayane foi casada com Giovanni Paroschi Jafar, irmão de Olívia, e aparece como a primeira proprietária formal da empresa.
Conflitos familiares
Outro diálogo citado na denúncia envolve Olívia e sua mãe, Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo Ministério Público como a verdadeira controladora da Editora Avante.
Em conversa registrada em 15 de abril de 2025, Rossana afirma que pretende transferir a clínica ROSS para o próprio nome e deixar de utilizar a conta bancária da filha. Olívia reclama de dívidas que, segundo ela, estariam sendo lançadas em seu nome.
Para os investigadores, as mensagens ajudam a demonstrar a forma como o patrimônio e as movimentações financeiras eram administrados entre os envolvidos.
Durante o cumprimento dos mandados de busca na clínica de estética ROSS, agentes apreenderam exemplares de livros paradidáticos, que passaram a integrar o conjunto de provas analisadas na investigação.
Ainda conforme a denúncia, Olívia comentou com uma amiga que, em razão da renda declarada no Imposto de Renda, não conseguiria obter financiamento estudantil pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Denúncia e defesa
A Operação Gutenberg foi deflagrada em 7 de julho e resultou na denúncia de 17 pessoas. O Ministério Público também pediu o ressarcimento de aproximadamente R$ 27 milhões aos cofres públicos.
O advogado Fábio Ferraz, que representa Rossana Paroschi Jafar, afirmou que os fatos não ocorreram da forma descrita na denúncia e que a inocência da empresária será demonstrada durante a instrução criminal.
A advogada Fabiana Trad, responsável pela defesa de Olívia Paroschi Jafar, declarou que a denúncia apresenta apenas a versão da acusação e que todas as imputações serão contestadas ao longo do processo, com observância ao contraditório e à ampla defesa.
Até o momento, Rossana Paroschi Jafar, Rhayane Souza Fanaia, Giovanni Paroschi Jafar e Felipe Jafar permanecem presos. A reportagem informa que o espaço segue aberto para manifestações das defesas dos demais citados.



