OAB/MS suspende registro profissional de Alcides Bernal após prisão por homicídio em Campo Grande

Ex-prefeito da Capital teve suspensão preventiva aprovada pela Comissão de Ética; decisão ocorre após morte de fiscal tributário registrada por câmeras de segurança

A OAB/MS decidiu suspender preventivamente, por 90 dias, o registro profissional do advogado e ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. A medida foi aprovada na tarde desta sexta-feira (15), durante sessão extraordinária da Comissão de Ética da entidade.

A decisão ocorre após o assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto em 24 de março de 2026. O caso teve grande repercussão no Estado e levou a própria OAB/MS a divulgar, à época, uma nota pública de pesar e repúdio ao crime.

Bernal está preso atualmente no Presídio Militar de Campo Grande. Segundo as investigações, ele procurou a polícia logo após o ocorrido e acabou preso em flagrante no mesmo dia.

O homicídio foi registrado por câmeras de segurança e aconteceu em um imóvel localizado no bairro Jardim dos Estados, região nobre da Capital. A residência, conforme informações do caso, havia sido adquirida legalmente pela vítima junto à Caixa Econômica Federal.

A suspensão determinada pela OAB/MS tem caráter preventivo e impede temporariamente o exercício da advocacia durante o período estabelecido pela Comissão de Ética.

Histórico
Esta não é a primeira vez que Alcides Bernal sofre sanção disciplinar aplicada pela Ordem. Em 2020, o ex-prefeito já havia sido suspenso do exercício profissional por 30 dias, em um processo relacionado à prestação de contas envolvendo uma cliente.

Na ocasião, Bernal foi acusado de não repassar informações sobre valores recebidos em uma ação judicial movida em nome da ex-catadora de recicláveis Dilá Dirce de Souza.

O caso ganhou notoriedade em 2013, quando Dilá procurou a OAB alegando que o então advogado teria retido parte de uma indenização paga pela antiga concessionária de coleta de lixo da Capital, a Vega Engenharia Ambiental.

Dilá foi atropelada por um caminhão da empresa em 1999 e, após decisão judicial, teve direito ao recebimento de 60 salários mínimos, além de pensão vitalícia devido à impossibilidade de retornar ao trabalho.

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