Presidente destaca papel do Brasil na descarbonização, cobra responsabilidade global e levanta debate sobre empregos diante da inteligência artificial

Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) o fortalecimento de uma matriz energética limpa com participação do Brasil e da Europa, ao mesmo tempo em que fez críticas ao cenário geopolítico global e aos impactos do avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho.
A declaração foi feita durante a abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, realizada na Alemanha.
No discurso, Lula afirmou que o Brasil pode contribuir para reduzir os custos de energia na Europa e acelerar a descarbonização da indústria, desde que haja reconhecimento das características da matriz energética brasileira. Segundo ele, impor barreiras a biocombustíveis não contribui para o avanço ambiental nem energético.
O presidente também voltou a criticar conflitos internacionais, citando diretamente ações envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, classificadas por ele como uma “maluquice”. Para Lula, o cenário atual evidencia contradições globais, com aumento dos gastos militares em meio a desigualdades sociais persistentes.
Ao abordar tecnologia, o presidente destacou que a inteligência artificial amplia a produtividade, mas levanta preocupações éticas e sociais. Ele alertou para o uso da tecnologia em operações militares e para os riscos de exclusão no mercado de trabalho.
“Se a inteligência artificial gerar ganhos, é necessário considerar os impactos sobre os trabalhadores”, afirmou, ao defender que o avanço tecnológico seja acompanhado de responsabilidade social.
Ainda no campo trabalhista, Lula voltou a mencionar a defesa da redução da jornada de trabalho e criticou a escala 6×1, ao citar a necessidade de melhores condições para os trabalhadores.
O presidente também relacionou os efeitos dos conflitos no Oriente Médio com impactos diretos na economia global, como a alta no preço do petróleo e a escassez de fertilizantes, fatores que pressionam a produção agrícola e elevam o custo dos alimentos.
Durante o discurso, Lula defendeu a retomada do protagonismo de organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, e destacou a relevância de acordos comerciais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia.
Ao abordar o meio ambiente, reafirmou o compromisso do Brasil com o desmatamento zero até 2030 e destacou a redução recente das taxas na Amazônia e no Cerrado. Também mencionou o potencial brasileiro na produção de energia limpa, incluindo biocombustíveis e hidrogênio verde, além da relevância estratégica de minerais críticos.
Lula afirmou que o país não pretende se limitar à exportação de matéria-prima e defendeu parcerias internacionais com transferência de tecnologia.



