Lula critica revogação de visto de embaixadora brasileira pelos EUA e cobra respeito diplomático

Presidente classifica decisão do governo Trump como “irresponsável” e afirma que o Brasil não aceitará interferências externas nas eleições.

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “irresponsável” e “impensada” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A declaração foi feita nesta quarta-feira (5), um dia após o anúncio da medida pelo governo do presidente Donald Trump.

A revogação do visto foi justificada pelas autoridades norte-americanas como resposta à demora do governo brasileiro em conceder a aprovação diplomática ao indicado de Trump para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O governo brasileiro, no entanto, contestou a justificativa e afirmou que a alegação é falsa.

Durante entrevista concedida ao canal Meteoro Brasil e ao podcast Os Três Elementos, Lula afirmou que a decisão representa um desrespeito à tradição diplomática entre os dois países.

“Ele então tomou a atitude de caçar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair dos Estados Unidos e vier para cá, vai ter que tirar o visto outra vez. Uma atitude irresponsável, impensada, para um país que tem 203 anos de relação diplomática. Desnecessário”, declarou.

O presidente também criticou a condução das relações diplomáticas por parte do governo norte-americano. Segundo Lula, os Estados Unidos permanecem há cerca de um ano e meio sem um embaixador no Brasil e não podem exigir que o processo de aprovação diplomática ocorra no prazo desejado por Washington.

“Queremos ser tratados com respeito”, afirmou.

Lula volta a defender soberania eleitoral

Na entrevista, o presidente também voltou a afirmar que o Brasil não aceitará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições presidenciais previstas para outubro.

Segundo Lula, o país está preparado para responder a qualquer iniciativa externa que busque influenciar o processo eleitoral brasileiro.

“O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral”, declarou.

As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, após divergências envolvendo a indicação de representantes diplomáticos e outros episódios recentes nas relações entre os dois governos.

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