Lula cobra mais compromisso dos países ricos no combate à desigualdade durante cúpula do G7 na França

Presidente brasileiro defende maior solidariedade internacional, critica aumento dos gastos militares e aponta falta de vontade política para reduzir desigualdades globais

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (17) um maior compromisso dos países ricos com a redução das desigualdades globais durante discurso realizado na Cúpula do G7, em Évian, na França. Convidado para participar do encontro que reúne algumas das maiores economias do mundo, o presidente brasileiro afirmou que a distância entre países desenvolvidos e em desenvolvimento continua aumentando.

Segundo Lula, os desafios internacionais se multiplicam enquanto a cooperação global perde força. Durante sua fala, ele destacou que bilhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso à alimentação, educação e saúde.

“O desafio é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou o presidente.

Lula também mencionou a redução de recursos destinados a organismos internacionais. De acordo com ele, o Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento nos últimos anos, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) tiveram seus orçamentos reduzidos em mais de 20%.

Durante o discurso, o presidente relacionou a diminuição dos investimentos sociais ao aumento dos gastos militares globais. Segundo ele, os investimentos anuais em defesa alcançaram quase US$ 3 trilhões, recursos que poderiam contribuir para enfrentar problemas estruturais em países em desenvolvimento.

O chefe do Executivo também destacou o impacto da dívida externa sobre as economias mais pobres. Conforme afirmou, os países em desenvolvimento transferem anualmente cerca de US$ 1,4 trilhão para o pagamento de dívidas, valor significativamente superior à ajuda financeira recebida das nações mais ricas.

Críticas ao modelo econômico

Ao abordar o cenário econômico internacional, Lula criticou políticas baseadas na desregulamentação dos mercados, no Estado mínimo e em medidas de austeridade fiscal. Segundo ele, essas estratégias não foram capazes de oferecer respostas duradouras para desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo.

O presidente também afirmou que o ressurgimento de práticas protecionistas e de ações unilaterais não representa uma solução eficaz para os problemas globais.

Sem citar nomes diretamente, Lula mencionou a concentração de riqueza no mundo e afirmou que o primeiro trilionário da história possui patrimônio superior ao acumulado por quase metade da população mundial.

Apelo por ação internacional

Ao encerrar sua participação, o presidente defendeu a ampliação dos mecanismos internacionais de financiamento para o desenvolvimento e afirmou que o principal obstáculo para avanços mais rápidos não é a falta de recursos, mas a ausência de implementação das medidas discutidas em fóruns internacionais.

Lula também citou a Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento como um exemplo de iniciativa que aponta caminhos para ampliar investimentos voltados à redução das desigualdades e ao desenvolvimento sustentável.

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