Ministro do Meio Ambiente defende integração entre produção e conservação e destaca redução recente do desmatamento no país

Da Redação
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a agenda ambiental passou a ocupar papel estratégico no desenvolvimento econômico do país. Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, nesta terça-feira (14), ele destacou que políticas voltadas à conservação, bioeconomia e combate ao desmatamento estão diretamente ligadas à geração de renda e à qualidade de vida da população.
Segundo o ministro, a ideia de que há conflito entre preservação ambiental e produção econômica não corresponde à realidade. A proposta do governo é integrar essas duas dimensões, transformando a conservação em parte do próprio processo produtivo.
Entre as principais iniciativas apresentadas está o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que prevê recursos iniciais de R$ 350 milhões oriundos do Fundo Amazônia. O programa busca incentivar cadeias produtivas sustentáveis baseadas na biodiversidade brasileira, com foco na inclusão de comunidades tradicionais, povos indígenas e produtores locais.
De acordo com Capobianco, a valorização de produtos como alimentos, óleos essenciais e plantas medicinais pode ampliar o acesso dessas populações ao mercado, ao mesmo tempo em que fortalece a economia sustentável. A proposta é garantir que os benefícios econômicos cheguem diretamente a quem atua na base da produção.
Outro ponto destacado foi a articulação entre o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério dos Povos Indígenas, considerada estratégica para a preservação dos biomas brasileiros. O ministro ressaltou o papel dessas comunidades na conservação ambiental e na prestação de serviços ecossistêmicos.
Investimentos e metas ambientais
O governo federal também apresentou dados sobre o volume de recursos mobilizados para a transição ecológica. Entre os mecanismos citados estão o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) e o programa Eco Invest Brasil, que juntos somam R$ 179 bilhões destinados a iniciativas ambientais.
Além disso, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado durante a COP30, já reúne cerca de R$ 350 bilhões em investimentos voltados à conservação de florestas tropicais em países em desenvolvimento.
No campo do combate ao desmatamento, o ministro apontou uma redução recente nos índices. Entre 2022 e 2025, houve queda de aproximadamente 50% na Amazônia e de 32% no Cerrado, segundo dados apresentados durante a entrevista.
Capobianco destacou que o desmatamento ilegal impacta diretamente a sociedade, provocando conflitos, expulsão de comunidades e aumento das emissões de gases de efeito estufa, além de comprometer a capacidade produtiva das áreas afetadas.
Ação conjunta entre entes federativos
O ministro também enfatizou que o enfrentamento dos desafios ambientais depende da atuação coordenada entre União, estados e municípios. Segundo ele, a construção de políticas públicas eficazes exige integração entre diferentes níveis de governo.
Como exemplo, citou a criação do Parque Nacional do Albardão, no Rio Grande do Sul, considerada uma das maiores unidades de conservação fora da Amazônia, resultado de articulação entre entes federativos.
A avaliação do governo é que o conjunto dessas iniciativas sinaliza uma mudança de abordagem, em que o desenvolvimento econômico passa a ser associado à sustentabilidade, com foco na redução de desigualdades e na preservação ambiental a longo prazo.



