Frigoríficos de Mato Grosso do Sul reduzem abates e concedem férias coletivas após limite de exportação para a China

Empresas adotam medidas para reduzir impactos da sobretaxa nas exportações de carne bovina após Brasil atingir 80% da cota estabelecida pela China para 2026.

Da Redação

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul iniciaram férias coletivas e reduziram o ritmo de abate de bovinos após o Brasil atingir 80% da cota de exportação de carne bovina estabelecida pela China para 2026. A medida busca minimizar os impactos da sobretaxa que poderá ser aplicada caso o volume permitido seja ultrapassado.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), novos embarques destinados ao mercado chinês foram interrompidos a partir de julho. A decisão ocorre após o governo da China informar que as exportações brasileiras já alcançaram cerca de 880 mil toneladas, equivalente a 80% da cota anual de 1,1 milhão de toneladas.

Se o limite for ultrapassado, toda a carne exportada acima da cota passará a pagar uma tarifa adicional de 55%, somada aos 12% já incidentes, elevando a tributação para 67%.

A China é o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático importou aproximadamente 1,6 milhão de toneladas, movimentando cerca de US$ 8,08 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Frigoríficos adotam medidas preventivas

De acordo com o presidente do Sicadems, Régis Comarella, a redução dos abates já era esperada diante da limitação das exportações para o principal mercado comprador da carne brasileira.

Em Mato Grosso do Sul, entraram em férias coletivas os frigoríficos:

  • JBS, em Campo Grande;
  • Iguatemi Beef, em Iguatemi;
  • Boibras, em São Gabriel do Oeste.

Outras empresas anunciaram redução na produção:

  • Frigo Sul, em Aparecida do Taboado;
  • Naturafrig, em Rochedo.

Segundo Comarella, o setor enfrenta um cenário de baixa oferta de bovinos para abate, dificuldades nas vendas e preços considerados incompatíveis com os custos da arroba no mercado interno.

“Não tivemos demissões ainda, mas vamos ver agora, no decorrer desse mês como vai ficar. O mercado está bem complicado, oferta de boi retraída, venda também muito ruim, preços não condizem com o preço hoje da arroba no mercado interno. Tudo isso faz com que os frigoríficos tomem essa decisão”, afirmou o presidente do Sicadems.

A Naturafrig informou que reduziu em cerca de 30% o volume de abates devido aos efeitos da limitação das exportações para a China. As demais empresas citadas não haviam se manifestado até a última atualização das informações.

Entenda a cota de exportação

A limitação faz parte do mecanismo internacional conhecido como salvaguarda, previsto nas regras do comércio exterior. O instrumento permite que um país aplique tarifas adicionais temporárias quando considera que o aumento das importações pode causar prejuízos à produção nacional.

Na prática, a China estabeleceu uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira em 2026. Caso esse volume seja ultrapassado, as exportações excedentes passam automaticamente a sofrer incidência de uma tarifa adicional de 55%.

China lidera compras da carne bovina brasileira

Dados da Abiec mostram que a China segue como o principal mercado da carne bovina produzida no Brasil.

Em 2025, o país asiático respondeu pela compra de aproximadamente 1,52 milhão de toneladas, movimentando US$ 8,08 bilhões. Na sequência aparecem Estados Unidos, União Europeia, Chile e México entre os principais destinos das exportações brasileiras.

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