Ex-deputado Neno Razuk é preso na Bolívia após ficar foragido por quase um mês

Condenado a 15 anos de prisão por organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, ex-parlamentar foi transferido para Corumbá e será levado a Campo Grande.

Da Redação

O ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi preso na Bolívia neste domingo (2), após permanecer foragido desde o início de julho. Condenado a 15 anos de prisão por organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, ele foi transferido para Corumbá na madrugada desta segunda-feira (3) e deverá ser encaminhado para Campo Grande.

Segundo informações apuradas, Razuk foi localizado em uma estrada enquanto seguia em direção à cidade de Santa Cruz de La Sierra, no país vizinho. Após a prisão, foi entregue às autoridades brasileiras.

Imagens registradas pela TV Morena mostram o momento em que o ex-parlamentar desembarca em Corumbá e entra em uma viatura da Polícia Federal para ser conduzido ao Instituto Médico Legal (IML), antes dos procedimentos de transferência.

Condenação e perda do mandato

A ordem de prisão foi expedida pela 4ª Vara Criminal em 15 de dezembro de 2025. Na ocasião, a medida não foi cumprida porque Neno Razuk ainda exercia mandato de deputado estadual e possuía imunidade parlamentar.

A situação mudou em 21 de maio deste ano, após a recontagem dos votos das eleições de 2022 alterar a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Com a mudança, Razuk perdeu o mandato para João César Mattogrosso e deixou de contar com a prerrogativa parlamentar.

Além da pena de 15 anos de prisão, a sentença determinou a perda do cargo público e a proibição de exercer função pública pelo período de oito anos.

Até a publicação desta reportagem, a defesa do ex-deputado não havia se manifestado sobre a prisão.

Operação investiga esquema de jogo do bicho

Neno Razuk é um dos investigados na quarta fase da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em novembro de 2025.

Também respondem ao processo o pai do ex-deputado, Roberto Razuk, os irmãos Jorge e Rafael Razuk, além de outras 16 pessoas.

De acordo com as investigações, o grupo teria estruturado uma organização criminosa para assumir o controle da exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.

As apurações também apontam que integrantes da organização participaram de três roubos ocorridos em Campo Grande, em outubro de 2023, contra funcionários de um grupo rival que atuava na exploração da atividade ilegal.

Durante o cumprimento de mandados, investigadores localizaram uma residência no Jardim Monte Castelo apontada como base operacional da organização. No imóvel foram apreendidas mais de 700 máquinas utilizadas na exploração do jogo do bicho, além de celulares, computadores, documentos, planilhas financeiras, R$ 274 mil em dinheiro, mais de mil euros em espécie e outros materiais considerados relevantes para as investigações.

Segundo o Ministério Público, os documentos indicam que o grupo movimentava cerca de R$ 600 mil por mês com a exploração do jogo do bicho em municípios sul-mato-grossenses. Com base nas provas reunidas, o órgão também solicitou o bloqueio de R$ 36 milhões em bens ligados à família Razuk.

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