Endividamento das famílias cresce e atinge 72,3% em maio; cartão de crédito lidera dívidas

Pesquisa da CNC mostra aumento do comprometimento da renda com dívidas; famílias de menor renda enfrentam maior inadimplência e dificuldade para honrar compromissos financeiros.

Da Redação

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apontou que 72,3% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em maio. O índice representa um leve aumento em relação a abril, quando o percentual era de 72%, e está 10% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

O levantamento considera compromissos financeiros como cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e seguros.

De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MS, Regiane Dedé de Oliveira, embora o endividamento esteja presente em todas as faixas de renda, os impactos são mais severos para as famílias de menor poder aquisitivo.

“Entre as famílias com até 10 salários mínimos, quase uma em cada cinco se considera muito endividada, enquanto entre as de maior renda esse percentual é de 7,1%. Os dados também mostram que a inadimplência é significativamente maior entre os grupos de menor renda, indicando uma menor capacidade de absorver os compromissos financeiros diante das despesas do dia a dia”, destaca.

Os números confirmam essa diferença. Entre as famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos, 18,6% afirmam estar muito endividadas. Já entre aquelas com renda superior a esse patamar, o índice cai para 7,1%.

O cartão de crédito permanece como a principal fonte de endividamento em todas as faixas de renda, fator que acende um alerta devido às elevadas taxas de juros praticadas nessa modalidade.

O perfil das dívidas, entretanto, varia conforme a renda familiar. Entre os consumidores com renda de até 10 salários mínimos, os carnês aparecem como a segunda principal modalidade de endividamento, sendo citados por 19,8% dos entrevistados.

Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o financiamento de veículos ocupa a segunda posição, mencionado por 27,9% dos consumidores endividados.

Os dados reforçam a importância do planejamento financeiro e do uso consciente do crédito, especialmente em um cenário de juros elevados e orçamento familiar cada vez mais pressionado.

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