Treinamento gratuito em Paragominas prepara moradores e produtores para prevenir incêndios durante a estiagem e já contribuiu para reduzir em quase 90% as áreas queimadas na região.

Da Redação
Moradores e produtores rurais de Paragominas, no Pará, participam, entre os dias 5 e 7 de agosto, de uma nova formação de brigadistas comunitários voltada à prevenção e ao combate de incêndios florestais na Amazônia. A iniciativa busca preparar a população para enfrentar a temporada de estiagem, período em que aumentam os riscos de queimadas intensificadas por eventos climáticos extremos, como o El Niño.
O treinamento será realizado na Associação dos Produtores Rurais de Paragonorte e inclui aulas teóricas, atividades práticas e o Teste de Aptidão Física (TAF), formando equipes aptas a atuar na prevenção e no combate inicial aos focos de incêndio.
A ação é promovida pela Aliança da Terra e faz parte de uma estratégia que envolve moradores, produtores rurais e organizações locais para fortalecer a resposta rápida às ocorrências de fogo no bioma amazônico.
Áreas queimadas tiveram redução de quase 90%
Segundo a Aliança da Terra, a atuação da Brigada Aliança resultou em uma redução de 89,6% das áreas queimadas em um território de aproximadamente 314 mil hectares monitorados na região de Paragonorte durante a última temporada de estiagem, em comparação ao ano anterior.
A organização atribui o resultado ao monitoramento comunitário aliado ao treinamento de brigadistas. Como os alertas de satélite podem sofrer atrasos devido à cobertura de nuvens, principalmente durante a seca, moradores e produtores passaram a desempenhar papel fundamental na identificação dos focos de incêndio.
De acordo com a entidade, cerca de 75% dos chamados emergenciais partiram da própria comunidade, permitindo que as equipes chegassem aos locais em um tempo médio de 3 horas e 50 minutos. Segundo a organização, esse tempo de resposta evitou que os incêndios atingissem grandes proporções.
Prevenção protege floresta e produção rural
Além da preservação ambiental, a atuação dos brigadistas também contribuiu para evitar prejuízos econômicos aos produtores rurais.
Durante a última temporada de estiagem, equipes conseguiram impedir que o fogo atingisse plantações permanentes, como lavouras de cacau, reduzindo perdas e protegendo a produção agrícola da região.
Para a diretora-geral da Aliança da Terra, Caroline Nóbrega, o modelo demonstra que conservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
“O enfrentamento aos impactos do El Niño e às secas severas exige planejamento, presença constante no campo e participação da comunidade. Quando capacitamos moradores e fortalecemos a parceria com produtores rurais, conseguimos prevenir incêndios com mais rapidez e eficiência.”
Estratégia aposta em manejo integrado do fogo
A metodologia adotada segue os princípios do Manejo Integrado do Fogo (MIF) e da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), combinando ações de prevenção, monitoramento contínuo, educação ambiental e uso planejado do fogo em situações específicas.
Além da formação de brigadistas, a Aliança da Terra apresentará suas estratégias e tecnologias de prevenção durante a AGROPEC 2026, feira agropecuária que será realizada entre os dias 8 e 16 de agosto, em Paragominas.
A expectativa é ampliar o diálogo com produtores rurais e fortalecer ações voltadas à redução dos incêndios florestais, proteção da biodiversidade e preservação das atividades econômicas na região amazônica.



