Deputada federal afirma ter sido barrada durante evento com ministros e empresários em Campo Grande e atribui episódio a retaliação por sua atuação parlamentar; Fiems ainda não se manifestou.

Da Redação
A deputada federal Camila Jara (PT) afirmou ter sido vítima de violência política de gênero após ser impedida de participar de um jantar com empresários da indústria sul-mato-grossense, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), em Campo Grande, na noite de quinta-feira (30).
Segundo a parlamentar, ela foi impedida de acessar o encontro por determinação do presidente da Fiems, Sérgio Longen. Camila afirma que, durante a tentativa de entrada, houve uso de força física para impedir sua participação.
Em publicações nas redes sociais, a deputada classificou a situação como um episódio de violência política de gênero e criticou a postura da entidade.
“Eu fui punida diretamente pelo meu trabalho e de forma violenta. Nesse microespaço de poder, o Sérgio achou que podia exercer toda a sua força contra mim”, declarou.
Convite para jantar
O episódio ocorreu após um encontro promovido pela Fiems para discutir os impactos da reforma tributária e o cenário econômico e logístico de Mato Grosso do Sul. O evento contou com a presença dos ministros Dario Durigan, do Ministério da Fazenda, e George Santoro, do Ministério dos Transportes.
De acordo com Camila Jara, após a palestra principal, ela foi convidada pessoalmente por Dario Durigan para participar de um jantar reservado com representantes do setor produtivo. No entanto, ao tentar acessar o local, teria sido impedida.
A deputada afirmou que buscou esclarecimentos sobre a situação e concluiu que o impedimento estaria relacionado à sua atuação parlamentar.
Alegação de retaliação
Camila Jara também afirmou que o episódio seria uma retaliação ao trabalho de fiscalização exercido por seu mandato.
Segundo a parlamentar, ela e o deputado federal Vander Loubet (PT) solicitaram recentemente informações à Fiems sobre a aplicação de cerca de R$ 60 milhões em recursos públicos destinados à entidade.
Para a deputada, questionar a utilização de recursos públicos faz parte das atribuições do mandato parlamentar e não deveria resultar em qualquer tipo de represália.
Ela também relatou que outras mulheres presentes na agenda, como a senadora Soraya Thronicke e assessoras do ministro da Fazenda, teriam sido tratadas de forma desrespeitosa durante o evento.
Ao comentar o caso, Camila afirmou que pretendia utilizar o encontro para dialogar com representantes da indústria e contribuir com propostas voltadas ao desenvolvimento econômico do Estado.
Fiems ainda não se manifestou
A reportagem entrou em contato com a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) para solicitar um posicionamento sobre as declarações da deputada.
Até a publicação desta matéria, a entidade não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.



