Proposta levanta discussão sobre redução da carga horária sem corte salarial e impacto na qualidade de vida dos trabalhadores

Da Redação
A Câmara Municipal de Campo Grande realiza, no próximo dia 29 de abril, uma audiência pública para discutir a redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário. O debate inclui propostas como o fim da escala 6×1 e a adoção de uma carga semanal de 30 horas para servidores municipais.
A iniciativa foi convocada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e será conduzida pela Comissão Permanente de Políticas e Direitos das Mulheres, de Cidadania e Direitos Humanos. O encontro está marcado para as 9h e é aberto ao público.
A proposta surge em meio a um cenário de questionamentos sobre o modelo tradicional de jornada, especialmente em regimes como o 6×1 — no qual o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. A discussão ganha força diante de mudanças no mercado de trabalho e de novas demandas relacionadas à saúde e ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Debate local dialoga com cenário nacional
A atual legislação, definida pela Constituição Federal de 1988, estabelece limite de até 44 horas semanais, com possibilidade de compensações por meio de acordos coletivos. Ainda assim, propostas em tramitação no Congresso Nacional indicam uma tendência de revisão desse modelo.
A audiência em Campo Grande deve refletir esse movimento mais amplo, que também acompanha experiências internacionais de redução da jornada semanal. Em alguns países, testes com semanas mais curtas têm sido associados a ganhos de produtividade e melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores.
Espaço para diferentes setores
A expectativa é reunir representantes de sindicatos, especialistas em relações de trabalho, gestores públicos e integrantes da sociedade civil. Entre os convidados está o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, que atua na produção de estudos sobre o mercado de trabalho.
Segundo a vereadora, o objetivo é ampliar o diálogo e construir propostas a partir da escuta coletiva.
“A discussão sobre a jornada de trabalho envolve diretamente saúde, qualidade de vida e valorização profissional. É um tema que precisa ser debatido com a sociedade”, afirmou.
Participação aberta
A audiência pública será realizada no plenário da Câmara Municipal e não exige inscrição prévia. A participação é aberta a trabalhadores, estudantes e demais interessados no tema.
O encontro não tem caráter deliberativo, mas pode subsidiar futuras propostas legislativas no âmbito municipal, além de contribuir para o debate em nível nacional sobre a reorganização do tempo de trabalho.



