Brasil registra menor número de homicídios em uma década, aponta Atlas da Violência 2026

País teve redução de 7,4% nos assassinatos em 2024, mas avanço da subnotificação e crescimento dos “homicídios ocultos” acendem alerta entre pesquisadores

Da Redação

O Brasil registrou em 2024 o menor número de homicídios da série histórica iniciada há dez anos. Segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgados nesta terça-feira (26), o país contabilizou 42.590 assassinatos no ano passado, o equivalente a 20,1 casos por 100 mil habitantes.

O levantamento foi produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e mostra uma redução de 7,4% em relação a 2023.

Entre os estados com menores índices de homicídios estão São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal. Já os maiores índices foram registrados no Amapá, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Os dados apontam que a redução da violência letal ocorre em meio ao fortalecimento de ações integradas de segurança pública, ampliação do trabalho de inteligência policial e investimentos em investigação criminal.

Informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública também indicam queda nos homicídios dolosos e latrocínios no primeiro trimestre de 2026. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), os homicídios dolosos passaram de 12.719 registros no início de 2016 para 7.289 no mesmo período deste ano, uma redução de 42,7%. Já os casos de latrocínio caíram 72,9% na comparação.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que programas voltados à proteção social e ao enfrentamento do crime organizado fazem parte da estratégia nacional de combate à violência.

Apesar da redução dos índices oficiais, o Atlas da Violência alerta para um crescimento significativo da subnotificação de homicídios no país. O estudo mostra que os chamados “homicídios ocultos” — mortes inicialmente classificadas como causa indeterminada, mas com indícios de assassinato — cresceram 88,6% entre 2023 e 2024.

Os registros passaram de 3.755 para 7.083 casos no período. Com isso, esse tipo de ocorrência já representa 14,3% do total estimado de homicídios no país, praticamente o dobro do percentual registrado no ano anterior.

Pesquisadores apontam que a fragilidade na produção de dados compromete o planejamento das políticas públicas de segurança e dificulta diagnósticos precisos sobre a violência em diferentes regiões brasileiras.

Diante desse cenário, o Governo Federal regulamentou neste mês a Portaria nº 1.145/2026, que estabelece critérios nacionais padronizados para investigação, elucidação e registro de homicídios e feminicídios em todo o país. A medida prevê envio obrigatório de informações ao Sinesp e monitoramento permanente dos indicadores criminais.

O relatório também chama atenção para o impacto do crime organizado na dinâmica da violência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há disputa territorial entre facções criminosas.

Dentro dessa estratégia de enfrentamento, o Governo Federal lançou recentemente o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê investimentos de R$ 11 bilhões em ações de inteligência, combate financeiro às facções e modernização das estruturas de investigação.

Durante o lançamento do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a proposta busca enfraquecer não apenas os grupos armados, mas também suas estruturas econômicas e de comando.

O Atlas da Violência 2026 ainda mostra que os jovens seguem sendo as principais vítimas da violência letal no Brasil. Entre 2014 e 2024, mais de 301 mil jovens entre 15 e 29 anos foram assassinados no país. Somente em 2024, foram registrados 19.801 homicídios nessa faixa etária.

A pesquisa também evidencia desigualdades raciais e sociais persistentes. Segundo o levantamento, a taxa de homicídios entre pessoas negras é 170,3% maior do que entre não negros.

O estudo aponta ainda aumento nos registros de violência contra pessoas LGBTQIAPN+ e destaca que, entre os povos indígenas, a taxa de homicídios em 2024 ficou 22% acima da média nacional.

Além das ações já em andamento, o presidente Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional. A proposta prevê ampliação da integração entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado e na coordenação das políticas nacionais de segurança.

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