Avanço do IDHM brasileiro reflete melhora em educação, renda e longevidade, além da redução gradual das desigualdades raciais e regionais

Da Redação
O Brasil alcançou, em 2024, um marco inédito na série histórica do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): o país passou a integrar, pela primeira vez, o grupo de nações com muito alto desenvolvimento humano. O índice nacional chegou a 0,805, conforme dados divulgados pelo Radar IDHM 2024, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento aponta que o avanço é resultado da ampliação de políticas públicas voltadas ao acesso à educação, saúde e geração de renda. A série histórica analisada compreende o período entre 2012 e 2024 e mostra uma recuperação acelerada após as perdas registradas durante a pandemia de Covid-19.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o resultado nas redes sociais e afirmou que os indicadores são consequência de “escolhas políticas consistentes e coordenadas”. Segundo ele, apesar do avanço, ainda existem desigualdades regionais, raciais e de gênero que precisam ser enfrentadas.
De acordo com o relatório, o IDHM brasileiro saiu de 0,788 em 2022 para 0,798 em 2023, até atingir 0,805 em 2024. A educação foi a dimensão que apresentou maior crescimento médio anual, com avanço de 1,35%. Já a longevidade atingiu o maior patamar da série histórica, chegando a 0,86, após recuperar os impactos provocados pela pandemia.
A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, destacou que programas de transferência de renda tiveram papel importante na evolução dos indicadores sociais e educacionais. Segundo ela, o Bolsa Família contribuiu diretamente para a permanência de crianças e adolescentes na escola e para a redução do trabalho infantil.
Ainda conforme o estudo, políticas públicas estruturantes costumam apresentar resultados ao longo dos anos. Programas criados no início dos anos 2000, como o Bolsa Família, passaram a refletir de forma mais evidente nos indicadores educacionais após ciclos mais longos de escolarização dos beneficiários.
População negra registra crescimento mais acelerado
O Radar IDHM 2024 também aponta redução gradual das desigualdades raciais no país. Entre 2012 e 2024, o IDHM da população negra cresceu 10,3%, quase o dobro do registrado pela população branca, que teve aumento de 5,5% no período.
O índice da população negra passou de 0,694 para 0,774, enquanto o da população branca evoluiu de 0,804 para 0,851. A distância entre os grupos caiu de 14% para 9%, segundo o levantamento.
Os avanços da população negra foram registrados nas três dimensões analisadas pelo IDHM. Na educação, o índice passou de 0,623 para 0,770. Na longevidade, houve crescimento de 0,800 para 0,846. Já na renda, o indicador subiu de 0,670 para 0,712.
Nordeste lidera crescimento proporcional
Todas as unidades da Federação apresentaram crescimento do IDHM entre 2012 e 2024. Dez estados atingiram a faixa de muito alto desenvolvimento humano em 2024, enquanto os demais permaneceram no nível de alto desenvolvimento humano.
Os maiores avanços proporcionais ocorreram em estados do Nordeste. Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte lideraram o crescimento do índice no período, reforçando a tendência de redução das desigualdades regionais.
O Distrito Federal apresentou o maior IDHM do país em 2024, com índice de 0,866, seguido por São Paulo, com 0,838. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul aparecem na sequência entre os melhores resultados nacionais.
Na outra ponta, Maranhão e Alagoas registraram os menores índices do país, embora ambos tenham demonstrado evolução ao longo da série histórica analisada.
Regiões metropolitanas também avançam
O estudo mostra ainda crescimento em todas as 20 regiões metropolitanas avaliadas e na Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina. Os maiores avanços ocorreram nas regiões metropolitanas de Natal, João Pessoa e na Ride da Grande Teresina.
Florianópolis registrou o melhor resultado do país entre as regiões metropolitanas, com IDHM de 0,874, seguida por Curitiba, com 0,856. Já Macapá e Maceió apresentaram os menores índices metropolitanos do levantamento.
Segundo o Radar IDHM, 17 das 21 regiões analisadas já alcançaram o patamar de muito alto desenvolvimento humano em 2024.



