Black Friday 2026 deve movimentar R$ 296,8 bilhões no varejo, mas vendas podem cair 2,5%

Projeção aponta redução no faturamento de novembro em relação a 2025, enquanto comércio eletrônico espera crescimento de 20,7% durante o período promocional.

Da Redação

O varejo brasileiro deve movimentar R$ 296,8 bilhões em novembro de 2026, mês marcado pela Black Friday. Apesar do volume expressivo, a previsão representa uma queda de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor registrou R$ 304,4 bilhões em faturamento. Os dados são da IEMI – Inteligência de Mercado.

A estimativa considera segmentos como supermercados, vestuário, calçados, móveis, eletrodomésticos e outros estabelecimentos comerciais. A comparação é feita em valores nominais, sem descontar os efeitos da inflação.

A Black Friday será realizada em 27 de novembro, última sexta-feira do mês, e deve intensificar a disputa por consumidores em um cenário de maior cautela nas compras.

Apesar da expectativa de retração em novembro, a projeção para o fechamento de 2026 permanece positiva. Segundo a IEMI, o varejo deverá alcançar faturamento de R$ 3,43 trilhões no ano, crescimento de 0,9% em comparação com 2025.

Comércio eletrônico deve crescer mais de 20%

Enquanto a previsão para o varejo em novembro indica retração, o comércio eletrônico apresenta perspectivas de crescimento para o período promocional.

Um levantamento realizado pela Confi, por meio da plataforma Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, estima que as vendas on-line movimentem R$ 13,3 bilhões entre os dias 26 e 29 de novembro.

O valor representa crescimento de 20,7% em relação aos mesmos quatro dias de 2025, quando o setor faturou aproximadamente R$ 11 bilhões.

A pesquisa também prevê a comercialização de 69,4 milhões de produtos, aumento de 15,4% na comparação anual.

Entre os segmentos com maior expectativa de faturamento estão eletrodomésticos, moda e acessórios, além de produtos de beleza e perfumaria.

Os levantamentos utilizam períodos e abrangências diferentes: enquanto a IEMI considera o varejo ao longo de novembro, a Neotrust analisa quatro dias de vendas pela internet.

Mudanças na tributação aumentam debate sobre concorrência

Outro fator que movimenta as discussões no comércio brasileiro é a mudança na legislação sobre a chamada “taxa das blusinhas”, aplicada às compras internacionais de baixo valor.

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.502/2026, que autoriza a redução a zero do Imposto de Importação sobre encomendas internacionais de até US$ 50, conforme regulamentação do Ministério da Fazenda.

A legislação também prevê mudanças para outras faixas de tributação. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cobrado pelos estados, permanece aplicável às compras internacionais.

Para a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), representada por seu presidente, Edmundo Lima, o cenário reforça a discussão sobre as condições de concorrência entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.

A entidade defende condições tributárias equilibradas, especialmente em períodos de grande movimentação comercial, como a Black Friday.

Consumidores devem redobrar atenção às ofertas

Com a aproximação da data, especialistas em consumo recomendam que os compradores acompanhem a variação dos preços antes de aproveitar as promoções.

Comparar valores entre estabelecimentos, verificar as condições de pagamento, consultar a reputação das lojas e conferir as políticas de troca e devolução são medidas importantes para evitar prejuízos.

Também é necessário ter atenção a anúncios com descontos muito acima dos praticados pelo mercado e a links recebidos por mensagens ou redes sociais, frequentemente utilizados em tentativas de fraude.

Mesmo com a previsão de queda no faturamento mensal, a Black Friday continua sendo uma das principais datas do calendário comercial brasileiro e uma oportunidade para empresas ampliarem as vendas e consumidores encontrarem produtos com preços reduzidos.v

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