Legislação estadual estabelece que nenhum gênero poderá receber menos de 30% dos recursos públicos destinados ao incentivo esportivo, enquanto o Brasil intensifica a preparação para o Mundial de 2027.

Da Redação
A um ano da realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que será disputada pela primeira vez na América do Sul, o fortalecimento do esporte feminino volta ao centro das discussões no Brasil. Em meio à contagem regressiva para o torneio, Mato Grosso do Sul já conta com uma legislação que busca ampliar a igualdade na distribuição dos recursos públicos destinados ao esporte.
Sancionada em 2024, a Lei nº 6.296 determina que nenhum gênero poderá receber menos de 30% dos recursos públicos voltados ao incentivo esportivo no Estado. A norma abrange verbas provenientes de fundos de incentivo, loterias e outras fontes de financiamento público, com o objetivo de reduzir a diferença histórica nos investimentos entre modalidades masculinas e femininas.
A legislação é de autoria da deputada estadual Gleice Jane (PT) e foi aprovada com a proposta de ampliar o acesso das mulheres às políticas públicas de incentivo ao esporte.
Durante a tramitação do projeto, a parlamentar argumentou que a desigualdade no financiamento influencia diretamente a estrutura das competições, as condições de treinamento e o desenvolvimento de atletas em diferentes modalidades.
Segundo a justificativa apresentada à época, a distribuição mais equilibrada dos recursos públicos busca criar condições mais igualitárias para a formação esportiva e ampliar as oportunidades para meninas e mulheres.
O futebol feminino foi citado como exemplo das diferenças existentes entre as modalidades, especialmente em relação aos investimentos, premiações, estrutura de treinamento e visibilidade.
Copa de 2027 amplia debate sobre legado
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 é considerada um marco para o esporte na América do Sul. Além da competição, a expectativa é que o evento contribua para ampliar a participação feminina nas modalidades esportivas, fortalecer políticas públicas e estimular novos investimentos voltados ao desenvolvimento do esporte para mulheres.
Nesse contexto, iniciativas voltadas à distribuição mais equilibrada dos recursos públicos ganham relevância no debate nacional sobre igualdade de oportunidades no esporte.
Especialistas e entidades ligadas ao setor esportivo apontam que o crescimento das modalidades femininas depende não apenas da realização de grandes eventos, mas também da continuidade de investimentos, da ampliação da participação de mulheres nas competições e da adoção de políticas públicas permanentes.
Com a aproximação do Mundial de 2027, ações como a legislação adotada em Mato Grosso do Sul passam a integrar um cenário mais amplo de discussões sobre inclusão, desenvolvimento esportivo e fortalecimento da participação feminina no esporte brasileiro.



