Câmara terá 109 deputadas a partir de 2027, enquanto 12 mulheres conquistaram vagas no Senado; presença feminina, porém, continuará próxima de 21% das cadeiras

Da Redação
As eleições de 2026 vão levar ao Congresso Nacional a maior bancada feminina da história. Na Câmara dos Deputados, 109 mulheres foram eleitas, número 21% superior ao registrado na eleição anterior. No Senado, 12 candidatas conquistaram mandato entre as 54 vagas disputadas neste ano.
O avanço ocorreu mesmo com uma redução no número de mulheres concorrendo à Câmara. Em 2022, foram 3.317 candidatas a deputada federal. Neste ano, o número caiu para 2.820. Apesar da diminuição das candidaturas, a representação feminina aumentou no resultado das urnas.
Na próxima legislatura, as mulheres ocuparão cerca de 21% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 34 das 109 deputadas, o maior número entre as legendas e federações.
Senado terá 18 mulheres a partir de 2027
No Senado Federal, a eleição de 12 mulheres representa o maior número desde a redemocratização em uma eleição na qual dois terços das cadeiras estavam em disputa. Em 2018, oito mulheres haviam sido eleitas em situação semelhante.
Com a renovação dos mandatos, 18 das 81 cadeiras do Senado serão ocupadas por mulheres a partir de 2027, equivalente a 22,2% da Casa. As novas senadoras assumem em fevereiro e terão mandato até 2035.
O Distrito Federal terá uma situação inédita. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas neste domingo e se juntarão a Damares Alves, que tem mandato até 2031. Com isso, o DF terá as três cadeiras do Senado ocupadas por mulheres.
Apesar da ampliação, as mulheres ainda continuarão sendo minoria tanto na Câmara quanto no Senado.
Mais mulheres negras chegam à Câmara
A representação de mulheres negras também cresceu entre as deputadas federais. Levantamento da organização Mulheres Negras Decidem aponta que ao menos 15 mulheres negras foram eleitas para a Câmara em 2026, ante nove em 2022, crescimento de 66,6%.
No Senado, porém, nenhuma das 12 mulheres eleitas neste ano é negra, segundo o levantamento divulgado após o primeiro turno.
A coordenadora política da organização Mulheres Negras Decidem, Tainah Pereira, destacou também a presença de candidatas mais jovens entre as eleitas e avaliou que o resultado representa uma renovação da representação feminina e negra no Legislativo.
Maior presença não significa posições iguais
O aumento da presença feminina no Congresso também amplia a diversidade de posições políticas entre as parlamentares.
Para a professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli, a maior quantidade de mulheres em cargos eletivos não significa necessariamente uma atuação uniforme em temas relacionados à igualdade de gênero.
Segundo a pesquisadora, à medida que aumenta a representação feminina, também cresce a diversidade política e ideológica entre as parlamentares.
A nova composição da Câmara e do Senado começa a valer em fevereiro de 2027.



