Genro acusado de mandar matar produtor rural por herança vai a júri em MS após cinco anos

Tiago da Rosa Marcos será julgado em novembro pela morte de Paulo Sérgio de Freitas Miranda, assassinado a tiros em Naviraí; filha da vítima também responde pelo crime

Da Redação

Cinco anos após o assassinato do produtor rural Paulo Sérgio de Freitas Miranda, de 57 anos, em Naviraí, Mato Grosso do Sul, um dos acusados de envolvimento no crime será levado a júri popular. Tiago da Rosa Marcos, genro da vítima, será julgado no dia 3 de novembro de 2026, sob acusação de ter participado do planejamento da morte.

Segundo a investigação, Tiago teria articulado o homicídio ao lado da esposa, Dayane Claudino Miranda Marcos, filha do produtor rural. A principal linha apontada no processo é de que o casal teria interesse na herança da família.

Dayane também responde pelo assassinato, mas será julgada em outra sessão. Além do casal, foram denunciados Leandro Marcos Cambuí, Ruan Victor da Silva Lopes, Thiago de Oliveira Leme e Ricardo Henrique da Silva, que já morreu.

Produtor rural foi baleado em Naviraí

Paulo Sérgio foi atacado a tiros em setembro de 2021. Após ser baleado, chegou a ser levado para uma Unidade de Terapia Intensiva, mas morreu três dias depois.

A investigação avançou sobre pessoas próximas à vítima e passou a apurar a suspeita de que o assassinato teria sido planejado.

De acordo com as apurações, Tiago e Dayane enfrentavam dificuldades financeiras e teriam interesse em bens da família. Terras onde o casal vivia no Paraná ainda estariam registradas em nome de Paulo Sérgio.

A investigação também apontou que a esposa do produtor rural e mãe de Dayane teria sido incluída em um suposto plano criminoso.

Conforme o material reunido no inquérito, um primo de Tiago teria atuado como intermediário na contratação dos executores. Outros suspeitos teriam auxiliado diretamente no crime e na fuga.

Registros de contatos telefônicos entre investigados antes e depois do assassinato também foram analisados pela polícia. Um dos suspeitos chegou a admitir participação e apresentou aos investigadores sua versão sobre o planejamento e a execução do homicídio.

Um dos homens apontados como executor morreu posteriormente em confronto com policiais no Paraná.

Família deixou Mato Grosso do Sul após o crime

O assassinato mudou a rotina da família. Nathaliê Cortes, filha de Paulo Sérgio e irmã de Dayane, deixou Mato Grosso do Sul com a mãe e passou a viver no interior de São Paulo.

Segundo ela, a mudança ocorreu em meio ao medo de novos episódios de violência.

“É muito difícil porque fazem cinco anos que nós não conseguimos seguir a vida. Sempre que retorna esse problema, ele não foi solucionado ainda”, afirmou.

Nathaliê tinha 21 anos quando o pai foi assassinado. Atualmente, aos 26, diz ter retomado parte da rotina, aberto um negócio e se casado, mas afirma que a família ainda mantém cuidados sobre a divulgação do local onde vive.

“Meu pai era um homem sensacional. Sempre fiz terapia, então nesses cinco anos que tudo aconteceu eu tento trabalhar minha parte espiritual, tento controlar tudo na terapia, trabalho, vou na academia, tenho minha rotina”, relatou.

Conflitos familiares antecederam assassinato

A relação entre Tiago e a família da vítima já era marcada por conflitos antes do homicídio.

Segundo Nathaliê, ela denunciou ter sido vítima de abuso sexual praticado pelo cunhado quando tinha 11 anos. O relato foi comunicado à família anos depois, quando ela já tinha 20 anos.

Tiago negou a acusação. Posteriormente, foi condenado a 14 anos de prisão pelo crime de estupro, mas houve recurso da defesa. De acordo com as informações relatadas pela família, o recurso ainda aguarda julgamento.

Apesar desse histórico de conflito, a investigação do homicídio aponta o interesse na herança como principal motivação para o assassinato de Paulo Sérgio.

Júri será realizado em novembro

Tiago permanece preso e será o primeiro do casal a enfrentar o Tribunal do Júri pelo assassinato do produtor rural. Dayane responde ao processo em liberdade e deverá ser julgada separadamente.

Os demais réus também aguardam a definição das respectivas etapas judiciais.

Para Nathaliê, a demora na conclusão do caso prolonga o sofrimento da família.

“Essa parte do Ministério Público a gente fica bem insatisfeito, porque tudo demora para julgar. Cada recurso que eles pedem é uma demora”, afirmou.

O julgamento de Tiago está previsto para 3 de novembro de 2026, cinco anos após um crime que ganhou repercussão pela suspeita de envolvimento de familiares da vítima e pela possível disputa por patrimônio.

Operação Indignus Heres

A investigação recebeu o nome de Operação Indignus Heres, expressão relacionada ao conceito de herdeiro indigno.

O nome faz referência ao artigo 1.814 do Código Civil, que estabelece situações em que uma pessoa pode ser excluída da sucessão por indignidade, entre elas casos relacionados a crimes praticados contra o autor da herança.

Ao longo da investigação, seis pessoas foram apontadas como envolvidas na morte de Paulo Sérgio, entre supostos mandantes, intermediários, executores e participantes da fuga.

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