Procedimento realizado no Hospital Cassems confirma “pega” da medula e marca avanço no tratamento de alta complexidade em Mato Grosso do Sul

Da Redação
Na manhã de quinta-feira (23) foi marcada por um momento decisivo no tratamento de uma paciente em Campo Grande. Após dias de internação e acompanhamento intensivo, Luana de Oliveira Souza Weis recebeu a confirmação de que o transplante de medula óssea foi bem-sucedido — etapa conhecida como “pega” da medula.
O procedimento realizado foi do tipo autólogo, quando as próprias células-tronco do paciente são utilizadas no tratamento. A confirmação da “pega” indica que o organismo passou a produzir novas células sanguíneas de forma adequada, sinalizando resposta positiva ao transplante.
A paciente, de 34 anos, reagiu com emoção à notícia e destacou o período de internação e o suporte recebido ao longo do processo. Segundo ela, o momento representa mais do que um avanço clínico.
“É uma alegria muito grande. Foram muitos dias internada e, quando vem essa notícia, muda tudo. Agora quero voltar para minha família e seguir a vida”, afirmou.
A mãe da paciente também acompanhou de perto todas as etapas e descreveu o resultado como um marco pessoal e familiar. Ela ressaltou a rapidez na condução do tratamento e o impacto do atendimento prestado.
Caso clínico e tratamento
De acordo com o médico hematologista Renato Yamada, responsável pelo procedimento, a paciente foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Após recidiva da doença, foi indicado um novo ciclo terapêutico seguido do transplante.
“O transplante autólogo é utilizado como consolidação do tratamento. Coletamos as células da própria paciente, realizamos quimioterapia em alta dose e, posteriormente, reinfundimos essas células. A ‘pega’ marca o momento em que a medula volta a funcionar”, explicou.
O processo inclui etapas específicas:
- Coleta das células-tronco saudáveis
- Tratamento com quimioterapia de alta intensidade
- Reinfusão das células no organismo
- Recuperação da função da medula óssea
Referência em alta complexidade
Com o caso, a paciente passa a integrar o grupo de atendimentos realizados na unidade, que já soma 15 transplantes de medula óssea. O Hospital Cassems de Campo Grande é atualmente a única unidade habilitada no estado a realizar esse tipo de procedimento.
A realização local de tratamentos de alta complexidade tem sido apontada como um fator importante para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para outros centros do país, ampliando o acesso ao atendimento especializado.
Segundo a direção da instituição, cada procedimento representa a ampliação da capacidade de resposta do sistema de saúde regional frente a doenças de maior complexidade.
Impacto e continuidade
A confirmação da “pega” da medula não encerra o tratamento, mas representa uma fase considerada decisiva. A partir desse ponto, o acompanhamento clínico segue para monitorar a recuperação do organismo e prevenir possíveis complicações.
Para a paciente, o momento simboliza uma retomada.
“Quero seguir em frente e viver. É isso que importa agora”, disse.



