Petrobras retoma obra bilionária de fertilizantes em Três Lagoas e projeta operação para 2029

Investimento de US$ 1 bilhão na UFN III deve gerar até 8 mil empregos e reduzir dependência de fertilizantes importados no Brasil

Da Redação

A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas, após nova análise técnica e econômica do projeto. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da companhia nesta segunda-feira (13) e integra o planejamento estratégico previsto para o período de 2026 a 2030.

O empreendimento, que estava paralisado desde 2015, deverá receber cerca de US$ 1 bilhão em investimentos para sua conclusão. A expectativa é de que as obras sejam retomadas ainda no primeiro semestre deste ano, com previsão de início das operações comerciais em 2029.

Durante a fase de construção, a estimativa é de geração de até 8 mil empregos diretos e indiretos, com impacto relevante na economia regional.


Projeto mira reduzir dependência externa

A retomada da UFN III ocorre em um contexto de reaproximação da Petrobras com o setor de fertilizantes, considerado estratégico para o país. O Brasil é altamente dependente da importação desses insumos, essenciais para o agronegócio.

Segundo a companhia, o projeto busca ampliar a produção nacional e reduzir essa dependência, especialmente em um cenário de instabilidade no mercado internacional de insumos agrícolas.

A unidade foi reavaliada a partir de 2023, quando a estatal decidiu retomar investimentos no segmento. A análise indicou viabilidade técnica e econômica, com projeção de retorno positivo dentro dos parâmetros internos da empresa.


Localização estratégica e foco no agro

A escolha de Três Lagoas como sede da unidade é considerada um dos principais diferenciais logísticos do projeto. A cidade está próxima de importantes polos consumidores do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, regiões com forte presença do agronegócio.

A produção da UFN III deverá atender, principalmente, estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, reforçando a oferta de insumos para culturas como milho, soja, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão.


Capacidade produtiva e tecnologia

A estrutura da unidade prevê produção diária de aproximadamente 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia. Parte desse volume poderá ser destinada à comercialização, enquanto o restante será utilizado na cadeia produtiva.

A ureia é atualmente o fertilizante nitrogenado mais consumido no país, com demanda estimada em cerca de 8 milhões de toneladas por ano. Já a amônia é matéria-prima fundamental tanto para a produção de fertilizantes quanto para a indústria petroquímica.

De acordo com a Petrobras, o projeto incorpora tecnologias atualizadas e equipamentos de alta eficiência, com foco em desempenho industrial e competitividade.


Governança e viabilidade econômica

A estatal informou que a aprovação seguiu critérios técnicos e de governança corporativa, com análise de diferentes cenários econômicos. O projeto apresentou indicadores considerados positivos, incluindo Valor Presente Líquido (VPL) viável.

A retomada também reforça a estratégia da empresa de diversificar sua atuação e ampliar a integração com cadeias produtivas estratégicas, como o agronegócio.

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