Embargo europeu reacende debate sobre uso de antimicrobianos e amplia espaço para tecnologias alternativas na produção animal

Da Redação
A recente decisão da União Europeia de restringir a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil reacendeu o debate sobre segurança alimentar, rastreabilidade e uso de antimicrobianos na pecuária nacional. O embargo, anunciado na última semana, foi motivado pela ausência de garantias relacionadas ao não uso de determinadas substâncias consideradas sensíveis pelo mercado europeu.
O cenário amplia a pressão sobre o setor produtivo brasileiro, que passa a buscar alternativas capazes de manter a produtividade sem comprometer as exigências sanitárias internacionais. Entre as soluções discutidas por especialistas e representantes do segmento está o uso de tecnologias sem resíduos químicos, como a homeopatia veterinária aplicada à nutrição animal.
A discussão também ocorre em meio à suspensão do uso da virginiamicina no mercado nacional, fator que intensificou a necessidade de substituição de alguns aditivos tradicionalmente utilizados na produção pecuária.
Segundo o médico veterinário Cláudio Franco Real, o movimento internacional sinaliza uma mudança definitiva nas exigências comerciais envolvendo alimentos de origem animal.
“O anúncio deve ser interpretado como um indicativo de que o conceito de alimento seguro deixou de ser apenas uma tendência de consumo e passou a representar uma exigência efetiva de mercado. A definição dos protocolos produtivos e das tecnologias utilizadas na pecuária tornou-se estratégica”, afirmou.
De acordo com o especialista, o Brasil já possui tecnologias capazes de atender às exigências sanitárias sem comprometer índices produtivos. Entre elas, ele destaca soluções homeopáticas voltadas ao equilíbrio fisiológico dos animais, sem geração de resíduos na carne e sem necessidade de período de carência.
Ainda segundo Cláudio Real, a adoção dessas alternativas também pode representar redução de custos operacionais e maior retorno econômico ao produtor rural, especialmente diante das barreiras sanitárias cada vez mais rigorosas impostas por mercados internacionais.
Para especialistas do setor, o desafio atual vai além da simples substituição de insumos. A tendência é que a rastreabilidade se torne um dos pilares da produção pecuária nos próximos anos, exigindo controle mais amplo sobre toda a cadeia produtiva, incluindo alimentação animal, suplementos e tecnologias utilizadas durante o ciclo de criação.
A doutora em Zootecnia Cleisy Ferreira afirma que o uso de aditivos homeopáticos já vem sendo aplicado em diferentes sistemas produtivos no país, principalmente em áreas ligadas ao desempenho zootécnico e manejo sanitário.
“Existem alternativas voltadas para controle parasitário, melhoria reprodutiva, desempenho animal e até problemas dermatológicos. São tecnologias que contribuem para a sustentabilidade da atividade e não deixam resíduos na carcaça ou no meio ambiente”, explicou.
Com o aumento das exigências internacionais, especialistas avaliam que o tema deve ganhar espaço dentro das discussões sobre o futuro da pecuária brasileira. A expectativa é de que produtores, indústria e órgãos reguladores ampliem investimentos em rastreabilidade, biossegurança e tecnologias alinhadas aos padrões sanitários dos mercados mais exigentes.



