Monitoramento em tempo real, ampliação de brigadistas e integração com Bombeiros intensificam prevenção no período mais crítico do ano

Da Redação
A possibilidade de retorno do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 tem ampliado a preocupação com o risco de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul. Diante da previsão de um período mais seco e quente, empresas do setor florestal e órgãos de emergência intensificaram medidas preventivas para reduzir danos ambientais e conter focos de incêndio antes que atinjam grandes proporções.
Entre as ações em andamento está o reforço da estrutura operacional da MS Florestal, que mantém uma central de monitoramento em Água Clara para vigilância permanente de áreas florestais e regiões vizinhas. O sistema funciona integrado ao Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, permitindo respostas rápidas em situações de emergência.
Segundo informações apresentadas pela Reflore MS durante o lançamento da campanha “Fogo Zero”, as descargas elétricas aparecem entre as principais causas de incêndios nas áreas monitoradas. O levantamento também identificou riscos ligados ao superaquecimento de equipamentos e falhas elétricas, como curtos-circuitos.
A central instalada em Água Clara opera como um sistema contínuo de vigilância digital, identificando focos de calor em florestas plantadas, áreas urbanas e regiões de vegetação nativa. O monitoramento abrange municípios como Bataguassu, Nova Andradina, Santa Rita do Pardo, Campo Grande, Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Inocência.
De acordo com o coordenador patrimonial e da brigada de incêndios florestais da MS Florestal, Wellington Santos, o período de maior atenção deve ocorrer entre agosto e outubro, quando as condições climáticas tendem a favorecer a propagação do fogo.
“Historicamente, nossa análise de risco considera principalmente o ativo florestal, mas o fogo não respeita limites geográficos. Grande parte das ocorrências atendidas neste ano aconteceu em propriedades vizinhas, justamente para impedir que os incêndios ganhassem grandes proporções”, afirmou.
A empresa informou ainda que mantém brigada própria ativa durante os 12 meses do ano e decidiu ampliar o efetivo diante do aumento das operações de colheita e do acúmulo de material vegetal nas áreas de produção. Além da contratação de novos brigadistas, também foram intensificados treinamentos e capacitações.
Cenário climático preocupa especialistas
Especialistas monitoram a possibilidade da formação do chamado cenário “30 por 4”, considerado um dos mais críticos para incêndios florestais. A condição combina temperaturas acima de 30°C, ventos superiores a 30 km/h, umidade relativa do ar abaixo de 30% e períodos de até 40 dias sem chuva.
Segundo a MS Florestal, o trabalho preventivo realizado pela brigada já apresentou resultados no primeiro quadrimestre de 2026. O número de ocorrências registradas em áreas próprias permaneceu estável, com oito eventos contabilizados, mesmo índice observado no ano anterior.
O destaque, no entanto, foi a atuação em áreas externas. Ao longo dos primeiros meses do ano, equipes da companhia auxiliaram no combate a 33 focos de incêndio em propriedades vizinhas.
A orientação é para que qualquer foco de incêndio ou situação suspeita seja comunicada imediatamente às autoridades. O Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193. Já a brigada da MS Florestal recebe chamados pelo WhatsApp (67) 99929-5742 e pelo telefone 0800 709 1490.



