Pesquisa do IBGE mostra que setor alimentício foi o maior empregador da indústria em 2024; receita do segmento industrial alcançou R$ 8,8 trilhões.

Da Redação
A fabricação de produtos alimentícios foi a atividade industrial que mais gerou empregos no Brasil em 2024, empregando 2,1 milhões de trabalhadores. O dado faz parte da Pesquisa Industrial Anual (PIA) – Empresa e Produto, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao todo, a indústria brasileira empregou 8,7 milhões de pessoas em 358,4 mil empresas no ano passado. O setor também movimentou R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações, reforçando sua importância para a economia nacional.
Entre as atividades com maior número de trabalhadores também aparecem a confecção de artigos de vestuário e acessórios, com 551,8 mil empregados, a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 517,1 mil, e a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com 491,9 mil trabalhadores.
Receita da indústria chega a R$ 8,8 trilhões
Segundo o levantamento, as empresas industriais registraram receita bruta de R$ 8,8 trilhões em 2024. Desse total, R$ 7,4 trilhões foram obtidos por meio da venda de produtos e serviços industriais.
Outros R$ 695,9 bilhões tiveram origem em atividades de revenda e serviços não industriais, enquanto as demais receitas somaram R$ 706 bilhões.
A receita líquida de vendas da indústria brasileira alcançou R$ 6,8 trilhões após os descontos de impostos, cancelamentos e abatimentos. Já o Valor de Transformação Industrial (VTI), indicador que representa a riqueza efetivamente gerada pelo setor, chegou a R$ 2,6 trilhões.
As indústrias de transformação responderam por 88,8% desse montante, consolidando-se como o principal segmento industrial do país.
Alimentos lideram participação na indústria de transformação
Além de liderar em número de empregos, a fabricação de produtos alimentícios também ocupou a primeira posição em participação na receita líquida de vendas das indústrias de transformação.
O setor representou 23% de toda a receita líquida industrial em 2024.
Na sequência aparecem a fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com 10,1%; produtos químicos, com 9,2%; veículos automotores, reboques e carrocerias, com 8,9%; e metalurgia, com 6,4%.
De acordo com o IBGE, o desempenho reforça a importância da cadeia produtiva de alimentos para a economia brasileira, desde a produção agropecuária até a industrialização dos produtos.
Grandes empresas concentram maior parte da receita
A pesquisa mostra ainda que as empresas com 500 ou mais empregados concentraram 67,9% da receita líquida total da indústria, equivalente a R$ 4,6 trilhões.
As empresas de médio porte responderam por 17,4% da receita, enquanto as pequenas representaram 8,7% e as microempresas ficaram com 6,1%.
O levantamento evidencia que, apesar da grande quantidade de empresas de menor porte, a maior parte da movimentação financeira permanece concentrada nas grandes corporações industriais.
Extração de petróleo lidera produtividade e salários
Entre os segmentos industriais, a extração de petróleo e gás natural apresentou a maior produtividade do país, gerando R$ 13,3 milhões por trabalhador ocupado.
O setor também registrou os maiores salários médios da indústria brasileira, chegando a 17,5 salários mínimos por trabalhador.
Na indústria de transformação, o maior salário médio foi observado na fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com remuneração equivalente a 7,9 salários mínimos.
Sudeste concentra maior parte da atividade industrial
Regionalmente, o Sudeste manteve a liderança da indústria nacional, concentrando 60,3% do Valor de Transformação Industrial do país.
O Sul aparece em segundo lugar, com 19,1%, seguido pelo Nordeste (8,4%), Norte (6,3%) e Centro-Oeste (6%).
São Paulo permaneceu como principal polo industrial brasileiro, respondendo sozinho por 34,5% do VTI nacional. Rio de Janeiro e Minas Gerais completam as primeiras posições, impulsionados pelos setores de petróleo, mineração, metalurgia, alimentos e indústria de transformação.
No Centro-Oeste, estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul seguem ganhando espaço com atividades ligadas à agroindústria, alimentos e biocombustíveis.
Alimentos dominam em 18 estados
Outro dado destacado pela pesquisa é que a fabricação de produtos alimentícios foi a principal atividade industrial em 18 das 27 unidades da Federação.
O resultado reforça o peso da agroindústria na economia brasileira e evidencia a importância do setor para a geração de empregos, renda e arrecadação em diversas regiões do país.



