E-book aborda por que mulheres permanecem em relações que machucam e como romper ciclos emocionais

Psicóloga lança guia em Campo Grande que traduz padrões psicológicos por trás de relações abusivas e dependência emocional

Da Redação

A dificuldade de romper relações que causam sofrimento emocional, mesmo entre mulheres com autonomia e clareza de vida, é o ponto de partida do e-book “Quando você se escolhe – Um guia psicológico para sair de relações que te machucam”, lançado recentemente em Campo Grande. A proposta é transformar experiências clínicas em um material acessível, capaz de ajudar mulheres a reconhecer padrões e compreender os próprios vínculos afetivos.

A autora, Maria Elisa Lacerda Faria, reúne mais de uma década de atuação baseada na psicanálise para explicar por que relações prejudiciais nem sempre são interrompidas com facilidade. Segundo ela, permanecer em vínculos que causam dor não está necessariamente ligado à falta de força ou decisão, mas a processos psíquicos complexos, muitas vezes inconscientes.

A publicação surge a partir de padrões observados em atendimentos clínicos, nos quais mulheres com diferentes perfis relatam dificuldades semelhantes: vínculos marcados por desgaste emocional, ciclos de término e retorno e expectativas de mudança que não se concretizam.

Violência psicológica ainda é pouco reconhecida

Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do Instituto DataSenado, indicam que milhões de brasileiras vivenciam situações de violência doméstica. Parte significativa, no entanto, não reconhece essas experiências como violência, especialmente quando não há agressão física.

Segundo a análise apresentada no material, a violência psicológica é uma das formas mais comuns e menos visíveis. Relações marcadas por negligência emocional, manipulação e dependência afetiva tendem a se manter por longos períodos antes que a mulher busque ajuda.

Em Mato Grosso do Sul, os dados reforçam o alerta. O Estado registrou dezenas de feminicídios em 2025 e já acumula novos casos em 2026, evidenciando a gravidade do problema e a necessidade de prevenção.

Ciclos emocionais e fatores culturais

A autora aponta que fatores culturais também influenciam a permanência em relações prejudiciais. Muitas mulheres são socialmente incentivadas a sustentar vínculos, tolerar comportamentos e priorizar o outro, mesmo quando isso compromete a própria saúde mental.

Na prática, isso se manifesta em padrões recorrentes, como relações instáveis, promessas de mudança, invalidação emocional e dificuldade em estabelecer limites. Em muitos casos, o vínculo se mantém não pela realidade, mas pela expectativa do que a relação poderia se tornar.

Reconhecimento e reconstrução

O material destaca que a percepção de que algo não está bem costuma surgir de forma gradual, a partir de um acúmulo de situações. Um dos sinais mais recorrentes é quando o medo da solidão se torna maior do que o sofrimento vivido na relação.

Romper esse ciclo, segundo a psicóloga, não se resume a uma decisão pontual, mas envolve um processo de reconstrução interna. Isso inclui reconhecer necessidades, resgatar a própria identidade e redefinir limites emocionais.

O e-book também propõe uma reflexão sobre a romantização do sofrimento nas relações afetivas, frequentemente associada à ideia de que amar implica suportar, insistir e esperar mudanças.

Sobre a autora e o material

Maria Elisa Lacerda Faria é psicóloga clínica, com mestrado e doutorado em Psicologia da Saúde, além de experiência nas áreas clínica, hospitalar, organizacional e acadêmica. Atua com abordagem psicanalítica e pesquisa temas relacionados à saúde mental e relações afetivas.

O e-book está disponível em formato digital, com 50 páginas, e propõe uma leitura voltada à compreensão dos padrões emocionais e ao fortalecimento da autonomia nas relações.

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