Pesquisa da UFGD aponta alta de 2,03% nos alimentos em abril e aumento no tempo de trabalho necessário para garantir alimentação básica

Da Redação
O preço da cesta básica voltou a subir em Dourados e atingiu, em abril de 2026, o quarto aumento consecutivo no ano. É o que mostra levantamento realizado pelo Projeto de Extensão Índice da Cesta Básica, desenvolvido pelo curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia da Universidade Federal da Grande Dourados.
Segundo a pesquisa, o conjunto de alimentos essenciais passou de R$ 752,46 em março para R$ 767,74 em abril, registrando alta de 2,03% no período. Com isso, a cesta básica passou a comprometer 47,27% do salário mínimo vigente de R$ 1.621.
O levantamento segue os critérios do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e considera produtos como arroz, feijão, carne, leite, pão francês, tomate, banana, café e óleo de soja.
Entre os 13 itens analisados, nove apresentaram aumento de preços no mês de abril. A maior alta foi registrada na batata, que subiu 42,36%. O tomate também teve forte avanço, com aumento de 28,90%.
Outros produtos que pressionaram o orçamento das famílias foram o leite, com alta de 13,78%; arroz, com 4,86%; óleo de soja, com 1,98%; feijão, com 1,44%; açúcar, com 1,38%; margarina, com 1,06%; e carne, com leve elevação de 0,03%.
Por outro lado, quatro produtos registraram queda nos preços. A banana teve a maior redução, de 28,57%, seguida pelo pão francês, com queda de 8,34%; café, com recuo de 4,46%; e farinha de trigo, com redução de 2,38%.
A pesquisa também aponta grande diferença de preços entre supermercados da cidade. Segundo o levantamento, a variação encontrada em abril chegou a R$ 110,87 entre estabelecimentos que comercializam os mesmos produtos da cesta básica.
De acordo com os pesquisadores, o valor representa uma diferença de 13,30% e reforça a importância da comparação de preços antes das compras. O estudo ainda recomenda que consumidores acompanhem pesquisas realizadas pelo Procon para identificar os locais com produtos mais baratos.
No cenário nacional, São Paulo registrou a cesta básica mais cara do país em abril, com custo de R$ 906,14. Em seguida aparecem Cuiabá, com R$ 880,06, e Rio de Janeiro, com R$ 879,03.
Já os menores preços foram encontrados em Aracaju, com R$ 619,32; São Luís, com R$ 639,24; e Maceió, com R$ 652,94.
Em comparação com Campo Grande, onde a cesta básica foi calculada em R$ 826,89, o custo registrado em Dourados permaneceu menor. Ainda assim, o município apresentou valor superior ao de 16 capitais brasileiras.
O aumento nos alimentos também impactou diretamente o poder de compra do trabalhador. Segundo o estudo, um trabalhador de Dourados precisou dedicar 104 horas e 12 minutos de trabalho para adquirir a cesta básica em abril, tempo superior ao registrado no mês anterior.
O levantamento também acompanha a estimativa do salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas, conforme previsão constitucional. Segundo o DIEESE, o valor necessário em abril de 2026 seria de R$ 7.612,49, equivalente a 4,70 vezes o salário mínimo atual.



