No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, especialista destaca que medicamentos podem ajudar no emagrecimento, mas o tratamento exige acompanhamento médico, alimentação adequada e atividade física.

Da Redação
As chamadas canetas emagrecedoras ganharam popularidade como alternativa para a perda de peso, mas seu uso isolado não resolve todos os aspectos envolvidos no tratamento da obesidade. No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, especialistas reforçam que a doença exige acompanhamento contínuo e cuidados que vão além da redução dos números na balança.
Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma doença crônica e multifatorial, a obesidade está associada a fatores genéticos, metabólicos, ambientais e comportamentais. O tratamento pode incluir medicamentos, mudanças alimentares, atividade física e outras intervenções, conforme as necessidades de cada paciente.
Para o médico do esporte Hugo Alessy, que atua nas áreas de emagrecimento, performance e qualidade de vida, os medicamentos representam um avanço, mas a avaliação individual é fundamental para alcançar resultados relacionados à saúde e à composição corporal.
“Quando falamos em emagrecimento, não estamos falando apenas sobre diminuir o número da balança. Precisamos entender como está a composição corporal, os exames, a alimentação, o sono, a rotina e o nível de atividade física. É a partir dessa avaliação que conseguimos construir uma estratégia adequada para cada pessoa”, explica.
Canetas emagrecedoras podem fazer parte do tratamento
Medicamentos utilizados no controle da obesidade, como os da classe dos agonistas do receptor GLP-1, podem contribuir para a perda de peso quando prescritos de acordo com a indicação clínica. Entretanto, o uso sem orientação profissional pode oferecer riscos à saúde.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige, desde junho de 2025, a retenção da receita médica para a venda desses medicamentos. Em fevereiro de 2026, a agência também reforçou o alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso inadequado desses produtos.
Segundo Hugo Alessy, a popularização das canetas não deve criar a expectativa de que o medicamento, sozinho, seja suficiente para controlar a doença.
“Esses medicamentos podem ser ferramentas importantes quando existe indicação e acompanhamento médico. O problema é quando se cria a ideia de que basta usar uma caneta para resolver a obesidade. Antes de qualquer conduta, precisamos avaliar o paciente, entender os exames e acompanhar a resposta ao tratamento”, ressalta.
Atividade física ajuda a preservar a massa muscular
Outro ponto destacado pelo especialista é a importância dos exercícios físicos durante o emagrecimento. Além de contribuir para o condicionamento, a prática regular ajuda a preservar a massa muscular e pode favorecer a manutenção dos resultados.
“Exercício físico não deve ser visto apenas como uma ferramenta para gastar calorias. Ele faz parte de um cuidado mais amplo com o organismo. Quando trabalhamos emagrecimento, também precisamos pensar em preservar massa muscular, melhorar a capacidade física e criar hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo”, afirma.
A alimentação equilibrada, o sono adequado e o acompanhamento dos indicadores de saúde também integram as estratégias de controle da obesidade.
Tratamento exige cuidados de longo prazo
Por ser uma doença crônica, a obesidade pode exigir tratamento prolongado e ajustes ao longo do tempo. A perda de peso, embora importante em muitos casos, não é o único indicador de melhora da saúde.
Em diretriz publicada em dezembro de 2025, a OMS reconheceu o papel dos medicamentos da classe GLP-1 no tratamento da obesidade em adultos, dentro de uma abordagem que também contempla alimentação saudável, atividade física e apoio profissional.
Para Hugo Alessy, o principal objetivo deve ser a melhora da saúde e a manutenção dos resultados, respeitando as características individuais.
“O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas melhorar a saúde e criar condições para que os resultados sejam sustentados ao longo do tempo. Cada pessoa tem uma realidade, uma rotina e necessidades diferentes. Por isso, o tratamento precisa ser individualizado”, conclui.



