Embarques caíram para 16 mil toneladas, menor volume desde dezembro de 2021; Brasil já ultrapassou a cota anual de exportação para o mercado chinês

Da Redação
As exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China caíram 89,83% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Foram embarcadas cerca de 16 mil toneladas, contra 158 mil toneladas um ano antes, no pior resultado mensal desde dezembro de 2021.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Safras & Mercado, o Brasil exportou 1,205 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês entre janeiro e agosto deste ano. O volume corresponde a 108,99% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pela China.
Com o limite ultrapassado, o excedente passa a ficar sujeito à tarifa integral de importação, o que reduz a competitividade da carne brasileira e ajuda a explicar a forte desaceleração dos embarques.
Para o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o resultado de agosto foi excepcionalmente baixo. “Fazia muito tempo que eu não via um desempenho assim tão ruim”, afirmou.
O recuo ocorre depois de uma sequência de embarques elevados no segundo trimestre. Em maio, o Brasil vendeu 154,8 mil toneladas de carne bovina à China, alta de 39,42% em relação ao mesmo período do ano passado. Em junho, foram 158,3 mil toneladas, avanço de 17,81%.
A tendência mudou em julho, quando as exportações recuaram para 82,7 mil toneladas, queda de 47,78% na comparação anual. Em agosto, o volume caiu para 16,08 mil toneladas.
Frigoríficos buscam outros mercados
A redução das compras chinesas aumenta a necessidade de frigoríficos brasileiros ampliarem as vendas para outros destinos. A China representa uma parcela relevante das exportações nacionais de carne bovina, e a substituição desse volume por outros mercados tende a exigir maior diversificação comercial.
Enquanto o Brasil já superou sua cota anual, outros fornecedores ainda tinham margem para ampliar as vendas. Até julho, a Argentina havia utilizado 52,40% da cota de 511 mil toneladas, enquanto o Uruguai havia preenchido 28,05% do limite de 324 mil toneladas.
A Nova Zelândia havia utilizado 36,44% da cota de 206 mil toneladas. Já os Estados Unidos registravam utilização de apenas 0,60% de um limite de 164 mil toneladas.
Apesar da queda nos embarques para a China, Iglesias avalia que o preço da arroba do boi gordo continua sustentado no mercado físico brasileiro. Entre os fatores está a menor disponibilidade de animais prontos para o abate no segundo semestre.



