Poupança registra entrada líquida de R$ 2,6 bilhões em maio e interrompe sequência de saques

Pela primeira vez em 2026, depósitos superaram retiradas na caderneta; saldo total ultrapassa R$ 1 trilhão

Da Redação

A caderneta de poupança voltou a registrar saldo positivo em maio deste ano. Dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central mostram que os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões, marcando a primeira entrada líquida de recursos na modalidade em 2026.

No período, os brasileiros depositaram R$ 368,4 bilhões na poupança, enquanto os saques somaram R$ 365,8 bilhões. Além disso, os rendimentos creditados nas contas alcançaram R$ 6,2 bilhões. Com isso, o saldo total da aplicação ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão.

Apesar do resultado positivo em maio, a poupança ainda acumula retirada líquida de R$ 39,1 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, refletindo uma tendência observada nos últimos anos.

Poupança enfrenta concorrência de investimentos atrelados aos juros

Especialistas apontam que o cenário de juros elevados continua reduzindo a atratividade da caderneta em comparação a outras aplicações financeiras.

Desde junho de 2025 até março deste ano, a taxa básica de juros da economia, a Selic, permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas. Juros mais altos costumam favorecer investimentos de renda fixa que oferecem rentabilidade superior à da poupança.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, fixando a taxa em 14,5% ao ano.

Mesmo com o início do ciclo de cortes, a autoridade monetária manteve cautela diante das incertezas econômicas e das pressões inflacionárias observadas nos últimos meses.

Histórico recente é de perdas

Os dados do Banco Central mostram que a poupança vem enfrentando dificuldades para atrair recursos. Em 2023, as retiradas líquidas somaram R$ 87,8 bilhões. Já em 2024, o saldo negativo foi de R$ 15,5 bilhões.

No ano passado, a caderneta chegou a registrar uma retirada líquida acumulada de R$ 85,6 bilhões, refletindo a migração de investidores para aplicações consideradas mais rentáveis.

O resultado de maio, portanto, representa uma mudança pontual no comportamento dos poupadores, embora ainda insuficiente para reverter o saldo negativo acumulado em 2026.

Relação entre juros e inflação

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e ajudando a conter a alta dos preços.

Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,67%. No acumulado de 12 meses, o indicador ficou em 4,39%, permanecendo dentro do limite estabelecido pelo sistema de metas.

A expectativa do mercado agora está voltada para a divulgação da inflação de maio, prevista para a próxima sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho do índice poderá influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre os juros e, consequentemente, a atratividade da poupança e de outros investimentos.

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