Presidente dos Estados Unidos pede endurecimento de cláusulas sobre programa nuclear iraniano e prolonga negociações por mais uma semana

Da Redação
As negociações entre Estados Unidos e Irã para um possível acordo de redução das tensões no Oriente Médio sofreram novo atraso após o presidente americano Donald Trump devolver com alterações uma proposta que vinha sendo discutida por representantes dos dois países. A decisão prolonga as tratativas por pelo menos mais uma semana e evidencia que pontos considerados centrais pelas duas partes continuam sem consenso.
Segundo informações divulgadas por autoridades americanas, Trump solicitou mudanças na redação do documento após uma reunião realizada na sexta-feira (29) com integrantes de sua equipe de segurança e política externa. Entre as principais preocupações estariam as garantias relacionadas ao programa nuclear iraniano e os termos que envolvem a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo.
Embora o conteúdo exato das alterações não tenha sido divulgado oficialmente, integrantes do governo americano indicaram que o presidente defende uma posição mais rígida sobre os compromissos que deverão ser assumidos por Teerã em eventual acordo.
O adiamento ocorre poucos dias após Trump afirmar publicamente que as negociações estavam próximas da conclusão. Na ocasião, o presidente chegou a sinalizar que um entendimento poderia abrir caminho para o encerramento das hostilidades e para o avanço de discussões mais amplas sobre a questão nuclear iraniana.
Apesar do discurso otimista adotado anteriormente, a reunião mais recente terminou sem uma definição. O encontro, que durou cerca de duas horas, não resultou na aprovação do texto nem em um anúncio oficial sobre os próximos passos das negociações.
Entre os pontos de divergência está o tratamento dado ao estoque de urânio enriquecido mantido pelo Irã. Trump declarou que os Estados Unidos pretendem assumir o controle desse material e destruí-lo como parte do acordo. O governo iraniano, por sua vez, tem afirmado que detalhes relacionados ao seu programa nuclear não fazem parte das negociações atualmente em andamento.
Outra questão envolve o eventual alívio financeiro ao Irã. Autoridades americanas afirmam que Trump demonstrou preocupação com qualquer medida que possa ser interpretada como concessão econômica excessiva ao governo iraniano. O tema é considerado sensível pela Casa Branca devido às frequentes comparações feitas pelo presidente ao acordo nuclear firmado durante a gestão de Barack Obama, criticado por Trump desde seu primeiro mandato.
As diferenças também aparecem em relação às compensações financeiras. Enquanto Trump declarou que não houve discussões sobre transferência de recursos, autoridades e representantes iranianos têm sinalizado que qualquer acordo duradouro dependeria de algum tipo de flexibilização econômica ou redução de restrições impostas ao país.
Com os principais pontos ainda em aberto, diplomatas e negociadores seguem trabalhando em uma nova versão do texto. A expectativa é que os próximos dias sejam dedicados à tentativa de aproximar posições e definir uma linguagem capaz de atender às exigências apresentadas por ambos os lados.
O avanço ou não das negociações é acompanhado com atenção pela comunidade internacional, especialmente por causa do impacto que um eventual acordo pode ter sobre a segurança regional, o comércio marítimo no Golfo Pérsico e a estabilidade dos mercados globais de energia.


