Deputada Gleice Jane critica política educacional de Riedel e aponta precarização nas escolas estaduais

Parlamentar questiona uso da inteligência artificial sem estrutura adequada e cobra valorização dos professores em Mato Grosso do Sul

Da Redação

A deputada estadual Gleice Jane (PT) fez críticas à política educacional do governador Eduardo Riedel durante sessão realizada nesta quarta-feira (27), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Em discurso na tribuna, a parlamentar afirmou que o Governo do Estado tem adotado medidas que desvalorizam os profissionais da educação e ignoram problemas estruturais enfrentados pelas escolas estaduais.

Entre os principais pontos abordados, Gleice Jane criticou declarações recentes do governador sobre o uso da inteligência artificial no ambiente escolar. Segundo a deputada, a implementação de ferramentas tecnológicas sem capacitação adequada e investimentos na estrutura das unidades de ensino compromete a qualidade da educação pública.

“Não vai funcionar qualquer instrumento de inteligência artificial sem formação para os professores, sem capacitação, sem valorização profissional e sem estrutura nas escolas”, declarou.

A parlamentar também demonstrou preocupação com os impactos do uso inadequado da inteligência artificial no processo de aprendizagem dos estudantes. Para ela, a ausência de orientação pedagógica pode estimular desinformação e reduzir o desenvolvimento crítico dos alunos.

“Existe o risco de os alunos deixarem de ler, pesquisar e buscar informações corretas. A tecnologia precisa ser uma ferramenta de apoio à educação, e não substituir o processo de aprendizagem”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Gleice Jane destacou problemas estruturais enfrentados pela rede estadual, como falta de computadores, deficiência na rede elétrica e ausência de climatização adequada nas salas de aula. Segundo a deputada, essas dificuldades afetam diretamente o desempenho escolar.

“Hoje, ar-condicionado não é luxo. Uma sala de aula sem ventilação adequada compromete o aprendizado. Não existe inteligência artificial que resolva isso”, disse.

A deputada também criticou o que classificou como aumento da pressão sobre os profissionais da educação. De acordo com ela, declarações do governo relacionadas ao uso da inteligência artificial desconsideram a formação e a experiência dos professores da rede pública estadual.

“Quando o governador diz que a inteligência artificial vai pressionar professores, ele desconsidera toda a formação, competência e dedicação desses profissionais”, afirmou.

No discurso, Gleice Jane ainda relacionou medidas recentes do governo estadual ao avanço de processos de terceirização e privatização da educação pública, citando experiências adotadas em outros estados brasileiros.

Educação especial

Durante a sessão, a parlamentar apresentou requerimentos relacionados à educação especial. Os documentos encaminhados à Secretaria Estadual de Educação pedem esclarecimentos sobre a falta de atendimento especializado para estudantes com laudos e sobre possíveis orientações internas que limitem solicitações de professores de apoio.

“Uma sala de aula sem acompanhamento adequado prejudica o estudante com laudo, o professor e todo o processo de aprendizagem”, declarou.

Debate sobre câmeras em sala de aula

A deputada também comentou o debate em torno do projeto que prevê instalação de câmeras em salas de aula, tema que vem sendo discutido na Assembleia Legislativa.

Segundo Gleice Jane, inicialmente ela votou contra a proposta, mas decidiu ampliar o diálogo com profissionais da educação antes da construção final do texto. A parlamentar afirmou que foram realizadas escutas com professores, diretores, coordenadores, universidades e audiências públicas em diferentes regiões do estado.

“O maior medo apresentado pelos professores era que as câmeras fossem utilizadas como instrumento de perseguição e vigilância constante sobre o trabalho docente”, explicou.

De acordo com a deputada, a versão final do projeto buscou equilibrar a proteção dos estudantes com a garantia da liberdade pedagógica, além de estabelecer regras relacionadas à proteção de dados e ao uso responsável das imagens.

“Foi um projeto construído coletivamente, ouvindo quem vive a realidade das escolas. O objetivo é garantir proteção às crianças sem transformar as câmeras em mecanismo de censura ou perseguição aos professores”, concluiu.


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