Inflação acelera para 0,89% em abril pressionada por alimentos e combustíveis

Alta no IPCA-15 é puxada por gasolina, diesel e itens básicos como leite, tomate e cebola

Da Redação

A prévia da inflação oficial no Brasil registrou alta de 0,89% em abril, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços de alimentos e combustíveis. O resultado representa aceleração em relação ao mês anterior e marca o maior índice desde fevereiro.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). No acumulado de 12 meses, o indicador chegou a 4,37%, acima dos 3,9% registrados até março.

Pressão vem da mesa e dos postos

Entre os grupos pesquisados, alimentação e bebidas lideraram a alta, com avanço de 1,46% e impacto direto no índice geral. O aumento foi puxado principalmente pelos produtos consumidos dentro de casa, que tiveram aceleração no mês.

Itens básicos apresentaram elevações expressivas, com destaque para cenoura, cebola, leite longa vida e tomate. As carnes também registraram alta, ainda que mais moderada. Fora do domicílio, os preços também subiram, refletindo o encarecimento generalizado da cadeia alimentar.

Outro fator relevante foi o grupo de transportes, que avançou 1,34%, influenciado pela forte alta dos combustíveis. A gasolina teve o maior impacto individual no índice, enquanto o óleo diesel também registrou aumento significativo no período.

Fatores externos e internos

A pressão sobre os alimentos está associada, entre outros fatores, ao período de entressafra, que reduz a oferta de alguns produtos e eleva os preços. Já os combustíveis refletem um cenário mais amplo, com influência do mercado internacional.

A instabilidade no Oriente Médio, envolvendo tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, tem afetado a cadeia global de petróleo. Um dos pontos sensíveis é o Estreito de Ormuz, responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo e gás.

A redução na oferta global pressiona os preços das commodities, o que acaba refletindo no custo dos combustíveis mesmo em países produtores, como o Brasil.

Como funciona o índice

O IPCA-15 segue a mesma metodologia da inflação oficial (IPCA), utilizada como referência para a política de metas do governo federal. A diferença está no período de coleta, que ocorre antes do fechamento do mês.

O índice considera uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e abrange diversas regiões metropolitanas do país.

Apesar da alta, o acumulado de 12 meses permanece dentro da margem de tolerância da meta de inflação, estabelecida em 3%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O resultado definitivo da inflação de abril será divulgado em maio, com base no IPCA cheio.

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