Abril Lilás: câncer de testículo atinge jovens e pode ter mais de 90% de cura com diagnóstico precoce

Campanha chama atenção para doença pouco discutida, que afeta principalmente homens entre 15 e 40 anos e ainda enfrenta barreiras no diagnóstico

Da Redação

Abril marca a campanha Abril Lilás, voltada à conscientização sobre o câncer de testículo — um tipo de tumor considerado raro, mas que atinge principalmente homens jovens, entre 15 e 40 anos. Apesar de apresentar potencial de gravidade, a doença tem altas taxas de cura quando identificada precocemente.

Dados da Sociedade Brasileira de Urologia indicam que o câncer testicular representa cerca de 5% dos tumores urológicos. Nos últimos anos, o país registrou aproximadamente 4,1 mil mortes relacionadas à doença. No mesmo período, mais de 15 mil cirurgias para retirada do testículo foram realizadas entre 2016 e 2025, como parte do tratamento.

Segundo o urologista Henrique Coelho, o surgimento do câncer está associado à fase de maior atividade hormonal masculina. “As células germinativas, responsáveis pela produção de espermatozoides, passam por intensa multiplicação durante a adolescência e o início da vida adulta, o que aumenta o risco de alterações genéticas”, explica.

Mesmo com bons índices de cura, o diagnóstico ainda enfrenta obstáculos. Em muitos casos, os sintomas iniciais são confundidos com inflamações, como orquiepididimite, o que pode atrasar a identificação correta da doença.

O principal sinal de alerta é o aparecimento de um nódulo indolor no testículo. Sensação de peso ou desconforto na região também pode indicar a necessidade de investigação. Especialistas reforçam que qualquer alteração deve ser avaliada por um médico.

O autoexame testicular, ainda pouco difundido, é apontado como uma ferramenta importante para o diagnóstico precoce. A recomendação é que seja feito mensalmente, de preferência após o banho morno, momento em que a musculatura da região está mais relaxada.

“O diagnóstico precoce é o principal aliado no tratamento. As chances de cura podem ultrapassar 90% quando a doença é identificada nas fases iniciais”, destaca o especialista.

O tratamento varia conforme o tipo e o estágio do tumor, mas, na maioria dos casos, envolve a remoção do testículo afetado. A abordagem busca não apenas eliminar a doença, mas também preservar, sempre que possível, a saúde geral e a fertilidade do paciente.

Além de informar, a campanha Abril Lilás tenta enfrentar um problema recorrente: o silêncio em torno da saúde masculina. A falta de hábito de procurar atendimento médico e o desconhecimento sobre o próprio corpo ainda são fatores que contribuem para o diagnóstico tardio.

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