Ousadia que movimenta milhões: Campo Grande recebeu megashow do Guns N’ Roses e mostra desafio histórico de mobilidade

Show do Guns N’ Roses reuniu 35 mil pessoas, movimentou mais de R$ 33 milhões e revelou limitações na infraestrutura da capital

Da Redação

Uma cidade que entrou no circuito — sem ser a realizadora

Campo Grande foi palco de um dos maiores eventos internacionais já realizados em sua história recente. O show do Guns N’ Roses, no dia 9 de abril, no Autódromo Internacional, reuniu cerca de 35 mil pessoas e inseriu a capital no circuito de grandes turnês.

A realização do evento partiu da iniciativa privada, que apostou na cidade como destino viável para grandes espetáculos, evidenciando um movimento de ousadia e capacidade de execução.


Impacto econômico expressivo

A movimentação financeira ultrapassou R$ 33 milhões, com impacto direto em hotéis, bares, restaurantes, transporte por aplicativo e comércio local.

A rede hoteleira registrou cerca de 86% de ocupação, enquanto aproximadamente 30% do público veio de fora do estado, incluindo visitantes de países vizinhos. Também foram gerados cerca de 1.500 empregos temporários.


Mobilidade expõe limite estrutural

O grande gargalo do evento foi o acesso ao local, especialmente pela BR-262. A rodovia de pista simples concentrou o fluxo simultâneo de milhares de veículos, resultando em congestionamentos.

Mesmo com operação da Polícia Rodoviária Federal, uso de tecnologia e restrições ao tráfego pesado, a capacidade da via se mostrou insuficiente para a demanda.


Planejamento e execução

O evento foi planejado ao longo de três meses, com participação de órgãos como PRF, Detran e Agetran, que autorizaram e acompanharam a operação.

Os portões foram abertos às 15h59, e o atraso de cerca de 1h30 no início do show foi uma medida operacional para permitir a entrada do público ainda em deslocamento.

Dentro do autódromo, o funcionamento ocorreu dentro da normalidade.


Fala da organização

Responsável pela organização, Valter Júnior destacou os desafios enfrentados fora do controle da produção:

“Foram meses de planejamento, diversas reuniões junto à PRF e aos órgãos reguladores, buscando organizar tudo da melhor forma possível. Ainda assim, enfrentamos dificuldades em relação a fatores externos, sobre os quais não temos autonomia.”

Ele reforçou o esforço de orientação ao público:

“Pedimos para que as pessoas chegassem mais cedo, justamente por se tratar de uma experiência inédita para a cidade.”

Sobre o atraso, explicou:

“Conseguimos segurar a banda por cerca de uma hora e meia para permitir que o maior número possível de pessoas acessasse o evento. Dentro do espaço, tudo aconteceu de forma impecável.”

E pontuou:

“É muito difícil controlar o que está fora do nosso alcance, como ambulantes e estacionamentos irregulares ao longo da rodovia.”


Estrutura de grande porte

  • Mais de 800 toneladas de equipamentos
  • 66 carretas envolvidas
  • Cerca de 2.800 profissionais

Entre a ousadia e o desafio

O evento mostra que Campo Grande tem potencial para sediar grandes espetáculos e atrair público de diferentes regiões.

Ao mesmo tempo, escancara a necessidade de investimentos em mobilidade urbana e planejamento estrutural para que a cidade consiga sustentar esse novo posicionamento.

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