Comunidade quilombola histórica de Mato Grosso do Sul se torna a primeira do Brasil a ser tombada em novo livro do Iphan, reforçando a preservação da cultura afro-brasileira

Da Redação
A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, em Campo Grande, foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural brasileiro. A decisão foi tomada durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realizada na manhã desta terça-feira, 10 de março, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.
Com o reconhecimento, a comunidade se torna o primeiro quilombo do Brasil a ser tombado no novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. O instrumento foi criado por meio da Portaria nº 135/2023 do Iphan e representa um avanço nas políticas públicas de preservação da memória e da cultura afro-brasileira.
Localizada na área urbana de Campo Grande, a comunidade Tia Eva é considerada uma das mais antigas referências quilombolas urbanas do país e símbolo da resistência negra em Mato Grosso do Sul. Entre os principais marcos históricos está a igreja construída pela própria fundadora, Eva Maria de Jesus. Inicialmente erguido em madeira, o templo foi reconstruído em alvenaria em 1919 e atualmente passa por processo de restauração com recursos do Governo Federal.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) destacou a importância do reconhecimento para a valorização da história e identidade da população negra da capital sul-mato-grossense. Segundo ela, a trajetória de Tia Eva está diretamente ligada à formação da cidade.
“A história de Tia Eva é também a história da construção de Campo Grande. Estamos falando da força de uma mulher negra que, com coragem e fé, formou uma comunidade que atravessou gerações e segue viva até hoje. Esse reconhecimento do quilombo como patrimônio cultural é um gesto de justiça histórica e de valorização da memória e da resistência do povo preto da nossa cidade”, afirmou.
O superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, João Henrique dos Santos, também ressaltou o impacto nacional da decisão e o simbolismo do momento para o estado.
“Hoje eu vivi uma das maiores emoções que já passei na vida. Levar Mato Grosso do Sul para as páginas da história do Brasil, especialmente na área do patrimônio cultural, é motivo de grande orgulho. Seguimos trabalhando para fortalecer políticas públicas que valorizem a cultura e a memória do nosso povo”, declarou.
Ainda de acordo com a vereadora, o tombamento reforça o protagonismo das mulheres negras na construção social e cultural da cidade. Para ela, a história de Tia Eva simboliza a força de gerações que contribuíram para a identidade local.
“Tia Eva representa a força das mulheres que sustentaram comunidades inteiras com trabalho, fé e solidariedade. Celebrar esse reconhecimento é também valorizar a contribuição histórica do povo negro para Campo Grande”, concluiu.
O reconhecimento da comunidade como patrimônio cultural brasileiro marca um novo capítulo na preservação da história dos quilombos no país e amplia a visibilidade de um dos mais importantes símbolos da cultura afro-brasileira em Mato Grosso do Sul.





