Queda na energia elétrica e recuo nos transportes ajudaram a conter o índice, enquanto alimentação e saúde pressionaram os preços.

Por Karol Peralta
A prévia da inflação oficial do país desacelerou em janeiro e ficou em 0,20%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma redução de 0,05 ponto percentual em relação a dezembro, quando o índice havia registrado alta de 0,25%.
O comportamento mais moderado do IPCA-15 em janeiro foi influenciado, principalmente, pela queda no grupo Habitação, que recuou 0,26%. O principal impacto negativo no índice veio da redução de 2,91% na energia elétrica residencial, reflexo da mudança da bandeira tarifária amarela para a bandeira verde, sem cobrança adicional nas contas de luz.
Outro fator que contribuiu para a desaceleração da inflação foi o grupo Transportes, que apresentou queda de 0,13%. O resultado foi puxado, sobretudo, pela diminuição de 8,92% nas passagens aéreas e pela redução de 2,79% no ônibus urbano, influenciada por políticas de gratuidade e tarifa zero em domingos e feriados adotadas em algumas capitais.
Apesar do alívio nos transportes, os combustíveis exerceram pressão sobre o índice, com alta de 1,25% no mês. O avanço foi impulsionado principalmente pelos preços do etanol e da gasolina.
Alimentação
No grupo Alimentação e bebidas, houve queda nos preços de itens como leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%). Após sete meses consecutivos de recuo, a alimentação no domicílio registrou alta de 0,21% em janeiro.
Com isso, o grupo fechou o mês com variação de 0,31%, influenciado pelas fortes altas do tomate (16,28%), da batata-inglesa (12,74%), das frutas (1,65%) e das carnes (1,32%), itens de peso no orçamento das famílias.
Saúde e cuidados pessoais
Mesmo com a desaceleração do índice geral, alguns grupos pressionaram a inflação. O destaque foi Saúde e cuidados pessoais, que apresentou a maior variação entre os nove grupos pesquisados, com alta de 0,81%.
O resultado foi influenciado pelo aumento de 1,38% nos artigos de higiene pessoal e pelo reajuste de 0,49% nos planos de saúde, que continuam impactando o custo de vida das famílias.
Acumulados
No acumulado do ano, o IPCA-15 registra alta de 0,20%. Já no acumulado em 12 meses, o índice chegou a 4,50%, acima dos 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2025, a taxa havia sido de 0,11%.
Variação dos grupos em janeiro
- Habitação: -0,26%
- Transportes: -0,13%
- Alimentação e bebidas: 0,31%
- Educação: 0,05%
- Artigos de residência: 0,43%
- Vestuário: 0,28%
- Despesas pessoais: 0,28%
- Comunicação: 0,73%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,81%
Metodologia
Para o cálculo do IPCA-15, o IBGE compara os preços coletados entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026 com os valores observados no período anterior, de 14 de novembro a 12 de dezembro de 2025.
A metodologia é a mesma utilizada no IPCA, com diferença no período de coleta e na área de abrangência. O índice mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e contempla regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém, Curitiba, além de Brasília e Goiânia.





