Ministro afirma que fome e pobreza são resultado de escolhas políticas e reforça papel do Brasil na liderança de ações internacionais para erradicação da miséria

Por Karol Peralta
Durante a Primeira Reunião de Líderes da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, realizada em Doha, no Catar, o ministro Wellington Dias afirmou que a fome e a pobreza não são inevitáveis, mas consequência de decisões políticas. Representando o Governo do Brasil, ele destacou o papel do país na construção de uma rede internacional de cooperação que já reúne mais de 200 membros, entre países e organizações, com foco em combater a desigualdade e promover segurança alimentar no mundo.
Ao discursar na abertura do encontro, Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, enfatizou que “a fome e a pobreza não são inimigos invencíveis”. O evento, que reuniu representantes de 105 países e 96 organizações internacionais, marcou um ano desde o lançamento da Aliança, criada durante a presidência brasileira do G20, em 2024.
Segundo o ministro, em apenas doze meses, a Aliança Global se consolidou como um “mecanismo vivo de solidariedade e ação”, reunindo instituições financeiras internacionais, agências da ONU e governos em torno de políticas públicas coordenadas. Entre os resultados, Dias destacou a criação da Cesta de Políticas da Aliança, com 51 categorias de programas e 70 exemplos de implementação nacional, além da formação do Conselho de Campeões, que reúne até 50 países-membros.
Outro avanço é a Iniciativa Fast-Track, que apoia o desenvolvimento de programas nacionais em grande escala. Atualmente, 13 países participam do processo, com nove já apresentando planos validados à Aliança. “Desde 2023, o Brasil retirou 24,4 milhões de pessoas da fome e 7,6 milhões da pobreza, graças a políticas baseadas em evidências e à prioridade dada pelo presidente Lula à inclusão social”, afirmou Dias.
Entre as novas diretrizes da Aliança, a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática, elaborada pelo Conselho de Campeões, será apresentada na COP30, no Brasil, em 2025. O documento destaca que os impactos das mudanças climáticas afetam mais duramente os pobres e propõe uma transição justa e sustentável.
A reunião também anunciou novas parcerias internacionais com países como Etiópia, Haiti, Quênia, Palestina e Zâmbia, que desenvolverão programas nacionais com apoio do Banco Mundial, BID, Banco Africano de Desenvolvimento, FIDA e parceiros bilaterais como Brasil, Alemanha, Espanha e Reino Unido.
Eva Granados, secretária de Estado da Espanha e copresidente da Aliança, elogiou a abordagem liderada pelos países-membros. “O que vemos hoje é um modelo de cooperação inovador, em que as nações definem suas prioridades e a comunidade internacional se alinha para apoiá-las com coordenação e resultados concretos”, disse.
Atualmente, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza conta com mais de 200 membros, incluindo 100 países, 24 organizações internacionais, 9 instituições financeiras e mais de 30 entidades filantrópicas. O objetivo é acelerar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2 da ONU — erradicação da pobreza e da fome — até 2030.





