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Uso de canetas emagrecedoras cresce no MS e especialistas alertam para riscos do emagrecimento sem acompanhamento

Facilidade de compra irregular e automedicação ampliam casos de efeito rebote e impactos hormonais, especialmente em homens

Por Karol Peralta

O uso de canetas emagrecedoras como Mounjaro e Wegovy cresce em ritmo acelerado no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, a situação ganha contornos mais graves com a facilidade de compra irregular, impulsionada pela proximidade com o Paraguai, o que favorece a automedicação e o uso sem qualquer acompanhamento médico.

Para o urologista e especialista em saúde do homem Henrique Coelho, o principal problema não está no medicamento em si, mas na forma como ele vem sendo utilizado. “O vilão não é a caneta emagrecedora, mas o uso sem prescrição, sem exames prévios e sem monitoramento dos impactos no organismo”, alerta.

Efeito rebote faz peso voltar mais rápido

Um estudo publicado na revista científica British Medical Journal (BMJ) aponta um dado preocupante: pessoas que interrompem o uso das canetas para emagrecer podem recuperar o peso até quatro vezes mais rápido do que aquelas que emagrecem por meio de alimentação equilibrada e atividade física.

De acordo com a pesquisa, pacientes com sobrepeso chegam a perder cerca de 20% do peso corporal durante o uso das injeções. Após a interrupção, a recuperação média é de 0,8 kg por mês, caracterizando o chamado efeito sanfona.

“O corpo não reconhece esse processo como saudável. Ele reage tentando recuperar o peso perdido, o que aumenta frustração e riscos à saúde”, explica o médico.

Impactos diretos na saúde masculina

Segundo o urologista Henrique Sherer, o organismo masculino depende de um equilíbrio hormonal delicado, especialmente da testosterona. Alterações bruscas de peso e nutrição podem comprometer esse sistema.

“A restrição calórica severa pode sinalizar ao corpo um estado de fome, reduzindo a produção de testosterona. Isso pode resultar em queda da libido, disfunção erétil e até redução da qualidade do esperma”, pontua.

O especialista destaca que o ciclo de emagrecimento acelerado seguido de ganho rápido de peso traz consequências relevantes.

No curto prazo, os principais efeitos incluem:

  • Deficiências nutricionais (vitamina D, B12, zinco, magnésio)
  • Perda de massa muscular
  • Cansaço excessivo
  • Queda da libido
  • Alterações de humor

No médio e longo prazo, os riscos aumentam:

  • Desregulação hormonal e possível queda da testosterona
  • Disfunção erétil
  • Redução da fertilidade masculina
  • Maior risco metabólico
  • Dificuldade para manter o peso
  • Sobrecarga renal em pacientes predispostos

Emagrecer rápido não é sinônimo de saúde

Para os especialistas, não existe atalho seguro quando o assunto é saúde. “Quando há indicação médica, o tratamento pode ser realizado, mas sempre com exames, acompanhamento profissional e mudanças reais no estilo de vida. Emagrecer rápido demais pode custar caro no futuro”, conclui Coelho.

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