Aportes devem focar minerais estratégicos como lítio, níquel e terras raras, em meio à cooperação para a transição energética

Por Karol Peralta
O Brasil pode receber, até março de 2026, novos investimentos europeus em até cinco mineradoras com operação no país, voltados à exploração e ao desenvolvimento de minerais estratégicos essenciais para a transição energética global. A expectativa surge após uma rodada de articulação realizada neste mês de janeiro entre o Ministério de Minas e Energia (MME) e representantes da União Europeia, com o objetivo de alinhar critérios e prioridades para os aportes no setor mineral brasileiro.
As negociações envolvem minerais considerados críticos para a economia de baixo carbono, como terras raras, lítio, níquel e manganês, insumos fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos, energias renováveis e tecnologias associadas à descarbonização.
Agenda estratégica busca previsibilidade e valor agregado
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a condução da agenda tem como base uma estratégia de longo prazo para o setor mineral, priorizando previsibilidade regulatória e alinhamento com políticas públicas nacionais. O foco, segundo ele, está em atrair investimentos que gerem valor dentro do território brasileiro, impulsionem o desenvolvimento regional e fortaleçam a indústria nacional.
A cooperação com a União Europeia busca consolidar o Brasil como fornecedor confiável de minerais estratégicos, ao mesmo tempo em que amplia a participação do país nas cadeias globais ligadas à transição energética sustentável.
Prioridade é adensar a cadeia produtiva mineral
Além da extração, a seleção dos projetos considera critérios como beneficiamento, refino, inovação tecnológica e padrões ambientais de baixo carbono. A diretriz central é estimular o adensamento da cadeia produtiva, evitando que o país atue apenas como exportador de matéria-prima bruta.
Essa abordagem busca ampliar a geração de emprego, renda e conhecimento tecnológico no setor mineral, fortalecendo a competitividade brasileira em um mercado global cada vez mais disputado por recursos estratégicos.
Atuação integrada entre órgãos federais
As discussões envolveram, além do MME, a ApexBrasil, o BNDES e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reforçando uma atuação coordenada do governo federal. A articulação entre os órgãos tem como objetivo qualificar os projetos apresentados aos investidores estrangeiros e garantir alinhamento com as estratégias nacionais de desenvolvimento.
Para a Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, a coordenação institucional é considerada essencial para assegurar que os investimentos atendam aos compromissos ambientais e sociais assumidos pelo país.
Cenário geopolítico favorece aproximação com a Europa
A cooperação ocorre em um contexto internacional considerado favorável, impulsionado pelo avanço do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado preliminarmente pelos Estados-membros europeus em janeiro de 2026. O tratado reconhece o papel do Brasil como fornecedor estratégico de matérias-primas minerais, ampliando o interesse europeu em investimentos diretos no país.
O acordo também preserva flexibilidades importantes para o Brasil, garantindo margem para políticas de agregação de valor, estímulo ao processamento local e fortalecimento da cadeia produtiva nacional.
Brasil mira maior protagonismo na transição energética
Com a demanda global crescente por minerais críticos, o Brasil busca se posicionar como um ator relevante não apenas na oferta, mas também no desenvolvimento tecnológico e industrial associado à transição energética. A expectativa de novos aportes europeus reforça esse movimento e indica uma ampliação da presença do país nas cadeias globais de valor ligadas à economia de baixo carbono.





