Nova tecnologia integra internet e radiodifusão, aposta em interatividade, imagem em 8K e amplia acesso a serviços públicos digitais

Por Karol Peralta
O ano de 2026 marca o início de uma transformação histórica na televisão aberta brasileira. A chamada TV 3.0, considerada a maior evolução do setor desde a digitalização, começou a sair do papel com a montagem da primeira estação-teste na Torre de TV de Brasília, nesta segunda-feira (2). O novo padrão integra radiodifusão e internet, substitui os canais numéricos tradicionais por um ambiente baseado em aplicativos e promete mudar a forma como os brasileiros consomem conteúdo audiovisual.
A implantação da TV 3.0 no Brasil será gradual e deve começar pelas grandes capitais. A autorização para os testes foi concedida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e à Câmara dos Deputados, utilizando a estrutura da Torre de TV. A expectativa é que os primeiros sinais experimentais entrem no ar no início de março.
A proposta da nova tecnologia é criar uma experiência mais interativa, personalizada e conectada, permitindo ao telespectador acessar conteúdos ao vivo e sob demanda, além de serviços públicos digitais integrados à programação.
Entre os avanços técnicos, a TV 3.0 prevê transmissões em 4K e 8K, suporte a HDR, cores mais vibrantes, som imersivo e recursos avançados de acessibilidade, como legendas customizáveis, audiodescrição, gerador de Libras e vídeo simultâneo com intérprete.
Marco histórico para a televisão brasileira
O início da montagem da antena da estação-teste foi marcado por uma cerimônia que reuniu autoridades do setor de comunicações. Para representantes do Ministério das Comunicações, o momento simboliza uma virada tecnológica semelhante à transição da TV analógica para a digital.
A estação instalada em Brasília funcionará como ponte entre a fase experimental e a futura operação comercial da TV 3.0, com transmissões diárias previstas após a oficialização do novo padrão no país.
Acesso digital e inclusão social
A aceleração da implantação da TV 3.0 também tem impacto direto na inclusão digital. Dados indicam que cerca de 11% da população brasileira acima dos 10 anos não utiliza a internet, o que torna a televisão um meio estratégico para ampliar o acesso à informação e aos serviços públicos.
Com um aplicativo próprio integrado ao sistema, a nova TV permitirá que cidadãos acessem conteúdos institucionais, serviços governamentais e ferramentas de participação social diretamente pela tela, sem a necessidade de outros dispositivos.
Debates e financiamento
A estruturação financeira da implantação da TV 3.0 está em debate em um workshop que reúne representantes do Ministério das Comunicações, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial. O objetivo é discutir linhas de crédito e estratégias para acelerar a adoção do novo sistema de transmissão no Brasil.
Especialistas envolvidos no projeto avaliam que o novo padrão posiciona o país entre os mais avançados do mundo no uso de tecnologias de radiodifusão híbrida, integrando televisão aberta e ambiente digital.





