Medida entra em vigor imediatamente e amplia tensão internacional em meio a protestos e repressão no território iraniano

Por Karol Peralta
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) a imposição imediata de uma tarifa de 25% sobre qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã. Segundo o chefe da Casa Branca, a penalidade será aplicada sobre todas as transações comerciais desses países com os Estados Unidos, ampliando a pressão econômica sobre Teerã e seus parceiros internacionais.
O anúncio foi feito por Trump em sua rede social, onde afirmou que a decisão tem efeitos imediatos e caráter definitivo. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América”, escreveu. Em seguida, reforçou: “Esta ordem é definitiva e irrecorrível”.
Nova escalada nas sanções contra o Irã
A medida representa uma escalada nas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e amplia o alcance da política de pressão máxima contra o Irã, ao atingir diretamente países que mantêm relações comerciais com o regime iraniano. Analistas avaliam que a decisão pode afetar cadeias globais de comércio, especialmente nos setores de energia, petróleo e exportações estratégicas.
A tarifa anunciada por Trump vai além das restrições diretas ao Irã, ao criar um mecanismo de retaliação indireta contra parceiros comerciais, aumentando o risco de tensões diplomáticas com aliados e economias emergentes.
Protestos e repressão marcam o cenário interno iraniano
O anúncio ocorre em meio a uma das maiores ondas de protestos no Irã nos últimos anos. Desde domingo (11), a capital Teerã registra manifestações contra o regime, ao mesmo tempo em que atos pró-governo também foram organizados para criticar episódios de violência associados aos protestos.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que protestos pacíficos são tolerados, mas acusou grupos estrangeiros de fomentarem os distúrbios. Segundo ele, as manifestações violentas seriam provocadas por “terroristas do estrangeiro”, como parte de uma tentativa de justificar uma eventual invasão liderada pelos Estados Unidos e por Israel.
Mortes e denúncias de uso de força letal
Organizações não governamentais apontam que a resposta das autoridades iranianas tem sido marcada por uso de força letal contra a população. De acordo com esses grupos, há registros de ao menos 600 mortes desde o início dos protestos, número que não foi confirmado oficialmente pelo governo iraniano.
A repressão tem gerado condenações internacionais e reacendido o debate sobre direitos humanos no Irã, enquanto cresce a pressão externa por investigações independentes.
Ameaças de intervenção aumentam tensão regional
Nos últimos dias, Donald Trump voltou a mencionar a possibilidade de intervenção direta no Irã, afirmando que dispõe de opções “muito fortes”, incluindo a via militar. O presidente norte-americano também declarou estar em contato com líderes da oposição iraniana, o que reforça o clima de instabilidade política e diplomática na região.
Especialistas em relações internacionais avaliam que a combinação de sanções ampliadas, protestos internos e ameaças militares eleva o risco de um conflito regional de maiores proporções, com impactos diretos no mercado global e na geopolítica do Oriente Médio.





